João Lourenço testa Laborinho no xadrez da sucessão presidencial
João Lourenço testa Laborinho no xadrez da sucessão presidencial
Laborinho 2

A recente reabilitação política do general Eugénio César Laborinho está a ser interpretada, em círculos próximos do poder, como parte de um possível ensaio do Presidente João Lourenço para a definição da futura linha de sucessão presidencial.

Embora o Chefe de Estado tenha afirmado publicamente a intenção de ser sucedido por um “quadro jovem”, fontes políticas indicam que continua a valorizar perfis com formação militar, evocando o argumento de que a chefia do Executivo ganha maior autoridade num contexto com precedentes históricos de liderança castrense.

Nos bastidores, analistas entendem que João Lourenço procura um sucessor que garanta uma transição pacífica de poder, permitindo-lhe manter a liderança do MPLA, enquanto o cabeça de lista do partido nas eleições de 2027 assume a Presidência da República, em caso de vitória eleitoral.

Entre os critérios apontados está a escolha de uma figura politicamente leal, que não represente risco de contestação interna ou disputa antecipada pela liderança partidária.

Apesar de não existir, até ao momento, um candidato formal, vários nomes circulam nos meios políticos como potenciais sucessores. Entre eles destacam-se Manuel Homem, Fernando Garcia Miala, Francisco Pereira Furtado e Carlos Maria Feijó.

O actual ministro do Interior, Manuel Homem, tem sido apontado como um dos quadros jovens mais próximos do Presidente, tendo-lhe sido confiadas missões consideradas sensíveis e incomuns no aparelho do Estado.

O governante reúne apoios tanto no círculo presidencial, incluindo figuras como Edeltrudes Costa, como no partido, com destaque para Paulo Pombolo.

Entre os seus apoiantes, defende-se que, caso seja o escolhido, deverá avançar já para a liderança do MPLA no congresso de 2026, evitando um cenário de bicefalia entre o partido e o Estado.

Por outro lado, o general Fernando Garcia Miala, actualmente à frente dos serviços de inteligência, surge como uma figura que, embora não seja militante do MPLA devido à sua condição de militar no activo, poderia ser equacionado para a chefia do Estado sem ambicionar o controlo do partido.

Os estatutos do MPLA exigem pelo menos 15 anos de militância para a candidatura à presidência da formação política.

Já o general Francisco Furtado, chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, é referido como tendo dupla nacionalidade, um factor que poderá gerar resistências internas ou ser utilizado por facções partidárias para travar uma eventual candidatura.

O jurista Carlos Maria Feijó, apontado como um dos arquitectos da Constituição em vigor, é visto como uma figura com sólida cultura de Estado. Contudo, segundo fontes, apenas aceitaria avançar para uma eventual candidatura presidencial com o aval directo de João Lourenço, afastando cenários de iniciativa própria.

Neste contexto, o nome de Eugénio César Laborinho ganha novo fôlego. Recentemente nomeado governador da província do Cuanza Sul, o general beneficia de uma relação de proximidade com o Presidente, sendo seu primo e amigo de longa data.

A rapidez da sua nomeação e tomada de posse, bem como a visibilidade institucional conferida — incluindo actos oficiais acompanhados pelo ministro da Administração do Território — são interpretadas como sinais de revalorização política.

Apesar disso, não há indícios públicos de que Laborinho manifeste ambições presidenciais. Até ao seu afastamento do Ministério do Interior, sectores da imprensa atribuíram-lhe interesse em assumir a chefia da Casa Militar.

in Club-K

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