
O presidente do Conselho de Administração da TAAG – Linhas Aéreas de Angola, S.A., Clóvis Lara Rosa, anunciou, na sexta-feira, em Luanda, o congelamento imediato de contratações externas e a suspensão de todas as promoções internas, face à crise financeira que afeta a instituição.
A decisão insere-se no âmbito do programa de reestruturação e transformação da companhia, designado Palanca, e contempla um conjunto de medidas temporárias de controlo e racionalização de custos, com efeitos imediatos, visando reforçar a disciplina financeira e assegurar a estabilidade e sustentabilidade da transportadora aérea nacional.
Numa comunicação interna datada de 27 de Fevereiro, a que o Imparcial Press teve acesso, a administração reconhece que a situação financeira da empresa permanece “exigente”, salientando que a atual estrutura de custos continua desajustada face ao nível de produtividade das operações, num contexto de pressões de mercado que condicionam o desempenho das receitas.
O congelamento das contratações aplica-se a todas as admissões externas, excetuando tripulação de cabine, cockpit e funções críticas de manutenção, consideradas essenciais para a continuidade das operações.
Eventuais exceções dependerão de autorização prévia e por escrito do Gabinete de Transformação do PCA, do PCE e da administradora responsável pelas áreas Jurídica, Capital Humano e Cultura Organizacional.
No mesmo quadro, ficam suspensas as promoções internas, igualmente com ressalva para as áreas operacionais críticas. A companhia determinou ainda a suspensão temporária de viagens de serviço, que passam a exigir aprovação fundamentada e deverão obedecer ao critério de maior economicidade.
Entre as medidas anunciadas consta igualmente a suspensão de incentivos comerciais aos clientes, incluindo bilhetes gratuitos, upgrades e isenções de taxas, salvo autorização expressa da administração.
Foram também interrompidos novos projetos com impacto financeiro, mantendo-se apenas os considerados estratégicos ou críticos, mediante validação do Gabinete de Transformação.
No domínio das aquisições, a empresa restringiu a compra de bens e serviços, preservando exclusivamente as despesas associadas à manutenção, reparação e revisão (MRO), salvaguardando, assim, a segurança e fiabilidade das operações.
A administração sublinha que as medidas são de cumprimento obrigatório e imediato, podendo o seu incumprimento implicar responsabilização.
Clóvis Lara Rosa apelou, por fim, ao empenho e sentido de responsabilidade de todos os colaboradores, defendendo que a contenção rigorosa da despesa será determinante para a recuperação financeira e consolidação do futuro da companhia.