
Funcionários da Embaixada de Angola nos Estados Unidos da América denunciam um clima de tensão interna, marcado por ameaças do embaixador Agostinho de Carvalho dos Santos Van-Dúnem, na sequência de reportagens publicadas pelo Imparcial Press sobre suspeitas de má gestão administrativa e financeira na missão diplomática em Washington, D.C.
Segundo fontes deste jornal, a situação agravou-se nas últimas semanas, levando os funcionários a realizar uma paralisação laboral de cerca de uma semana para pressionar a direcção da embaixada a regularizar o pagamento de salários em atraso.
De acordo com as mesmas fontes, após a greve foi pago apenas o salário referente ao mês de Fevereiro, mantendo-se por liquidar outros vencimentos e valores adiccionais pendentes desde 2024.
Os funcionários afirmam que, durante reuniões internas, o embaixador terá declarado que não pretende proceder ao pagamento das restantes remunerações, alegadamente por considerar que tal “não é do seu interesse”.
As mesmas fontes referem ainda que o diplomata terá afirmado que os mesmos podem “esquecer” os montantes em dívida, sustentando que estes nunca seriam pagos.
As declarações, conforme os funcionários, foram acompanhadas de referências à sua alegada protecção política ao mais alto nível do Ministério das Relações Exteriores.
Na ocasião, Agostinho Van-Dúnem terá mencionado contar com o apoio do ministro das Relações Exteriores, Téte António, bem como do secretário das relações internacionais do MPLA, Manuel Domingos Augusto, a quem atribuiu a recomendação da sua nomeação para o cargo de embaixador nos Estados Unidos.
Os diplomatas afirmam ainda ao Imparcial Press que o embaixador terá sugerido que eventuais reclamações junto das autoridades competentes seriam inúteis, apontando como exemplo o caso de um antigo embaixador que, apesar de denúncias apresentadas por funcionários, acabou por ser posteriormente nomeado para outra missão diplomática.
A situação tem criado um ambiente de forte insegurança laboral dentro da missão diplomática angolana em Washington, com funcionários a manifestarem preocupação pela falta de resposta institucional às queixas apresentadas.
Face ao impasse, os diplomatas apelam à intervenção urgente da Provedoria de Justiça e do Presidente da República, considerando que a falta de pagamento de salários e o alegado clima de intimidação estão a provocar sérias dificuldades pessoais e profissionais aos trabalhadores da embaixada.