
Um estudante angolano de doutoramento, identificado por Faustino Paulo Muetunda, de 32 anos, natural do Lubango, província da Huíla, morreu afogado numa barragem agrícola na localidade do Canhoso, na Covilhã, em Portugal, onde residia há cerca de 10 anos para prosseguir a sua formação académica.
Faustino Muetunda era investigador e doutorando em Ciências e Engenharia da Computação na Universidade da Beira Interior, instituição onde frequentava o Doutoramento em Engenharia Informática.
Segundo informações avançadas por familiares e pessoas próximas, o incidente ocorreu no passado dia 31 de Março, na ribeira de Corges, quando o estudante se encontrava em momento de lazer com amigos.
De acordo com o testemunho de uma amiga, a vítima entrou na água para nadar, juntamente com outro colega, numa represa agrícola, mas desapareceu pouco depois, levando o grupo a accionar de imediato os serviços de emergência.
As operações de busca foram desencadeadas por volta das 12h01 e mobilizaram diversos meios da Protecção Civil portuguesa, incluindo equipas de mergulho dos bombeiros, que localizaram o corpo cerca de duas a três horas depois.
O cadáver foi recuperado por volta das 17h30 e transportado para o Instituto de Medicina Legal da Covilhã, onde deverá ser realizada a autópsia para o esclarecimento das causas exactas da morte.
Conforme o familiar Manuel das Mangas, Faustino Muetunda deslocou-se para Portugal com o objectivo de reforçar a sua formação superior, tendo concluído a licenciatura e prosseguido os estudos até ao nível de doutoramento.
“O malogrado tinha planos de regressar a Angola após a conclusão do doutoramento, com o propósito de contribuir para o desenvolvimento nacional, particularmente na área da saúde mental”, lamentou.
A mesma fonte diz que o malogrado desenvolvia investigação na área de sistemas inteligentes aplicados à saúde mental, um campo considerado estratégico no actual contexto científico e social.
A morte de Faustino Muetunda está a gerar forte consternação entre a comunidade angolana residente em Portugal, colegas académicos, amigos e familiares no bairro Canguinda, na periferia do Lubango, onde vivia antes de partir para o exterior.
Na sequência da tragédia, decorre uma campanha de solidariedade para angariação de fundos com vista à transladação do corpo de Portugal para Angola.
A família apela ao apoio das autoridades angolanas, da comunidade e de cidadãos solidários para viabilizar o regresso do corpo ao país de origem e garantir as cerimónias fúnebres junto dos seus entes queridos.
Até ao momento, as autoridades portuguesas não avançaram detalhes adicionais sobre as circunstâncias exactas do afogamento.