
O Presidente angolano, João Lourenço, apelou este sábado ao fim dos conflitos no Médio Oriente e à abertura do Estreito de Ormuz por via negocial, defendendo o estabelecimento de uma paz duradoura na região.
O chefe de Estado falava em Luanda, durante a recepção ao Papa Leão XIV, no âmbito da visita oficial do líder da Igreja Católica a Angola.
No seu discurso, João Lourenço manifestou preocupação com o agravamento das tensões internacionais, alertando para o risco de escalada dos conflitos. “Vivemos um momento perigoso, com conflitos que se proliferam por todos os continentes”, afirmou.
Referindo-se em particular ao Médio Oriente, o Presidente angolano lamentou o sofrimento das populações da Palestina, do Líbano e de outros países da região do Golfo Pérsico, defendendo que a área deveria ser “uma zona de paz, concórdia e fraternidade”.
O chefe de Estado apelou ao “fim definitivo da guerra” e sublinhou a necessidade de garantir a livre circulação no Estreito de Ormuz através de soluções diplomáticas, considerando essencial evitar o agravamento da crise.
João Lourenço apelou ainda ao Papa Leão XIV para que continue a desempenhar um papel activo na promoção da paz mundial, recorrendo à sua autoridade moral.
“Face à probabilidade de agravamento do conflito, o mundo apela a Vossa Santidade para que continue a ser um construtor de pontes, promovendo o diálogo e o entendimento entre os povos”, afirmou.
O Presidente angolano defendeu igualmente que líderes políticos e figuras públicas com influência internacional devem actuar de forma concertada para assegurar que “a justiça e o diálogo prevaleçam sobre o uso da força” nas relações internacionais.
No discurso, o chefe de Estado destacou as relações históricas entre Angola e a Santa Sé, sublinhando que a visita do Papa representa um reforço do diálogo e da cooperação entre as duas partes.
João Lourenço enalteceu também o papel social da Igreja Católica no país, particularmente nos sectores da saúde, educação e apoio às populações mais vulneráveis, manifestando o desejo de um maior envolvimento da instituição como parceira do Estado.
A visita do Papa Leão XIV a Angola é a terceira de um pontífice ao país, depois de João Paulo II e Bento XVI.
O programa inclui encontros com autoridades políticas, líderes religiosos e fiéis, bem como celebrações religiosas em Luanda e noutras províncias, no âmbito de uma digressão africana que contempla ainda outros países do continente.