
A ministra das Finanças angolana, Vera Daves de Sousa, anunciou este sábado que o Banco Mundial vai disponibilizar, em breve, 750 milhões de dólares para financiar despesas do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2026.
A governante falava em Washington, nos Estados Unidos, durante uma conferência de imprensa de balanço da participação de Angola nas Reuniões de Primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que decorreram entre 13 e 18 de Abril.
Segundo Vera Daves, o financiamento, recentemente aprovado, inclui uma componente de garantia destinada a reduzir os custos da dívida pública, permitindo ao Estado angolano substituir dívida mais onerosa e libertar recursos para investimentos, com destaque para o sector da educação.
“Com as poupanças geradas, será possível reforçar projectos como a construção de escolas e a formação de professores”, afirmou.
O anúncio surge num contexto em que o Governo angolano prevê recorrer significativamente ao endividamento para executar o OGE de 2026.
De acordo com o Plano Anual de Endividamento (PAE), elaborado pelo Ministério das Finanças, o Executivo estima mobilizar 15,04 biliões de kwanzas (cerca de 15,96 mil milhões de dólares), o equivalente a aproximadamente 46% do orçamento total.
Desse montante, 7,11 biliões de kwanzas deverão ser obtidos no mercado interno, enquanto 7,93 biliões de kwanzas serão assegurados através de financiamento externo.
A ministra sublinhou que a operação do Banco Mundial está ancorada em reformas já implementadas pelo Governo, incluindo medidas de melhoria da gestão das finanças públicas e modernização dos sistemas administrativos.
Vera Daves garantiu que o Executivo continuará a mobilizar recursos para apoiar reformas estruturais, promover a diversificação da economia e impulsionar o crescimento inclusivo, com foco na criação de emprego.
No âmbito da cooperação com o Banco Mundial, estão igualmente em curso projectos destinados a aumentar o acesso à energia eléctrica e à água potável, bem como iniciativas ligadas ao saneamento básico, área para a qual Angola pretende captar mais financiamento junto de parceiros multilaterais.
Questionada sobre o impacto da subida dos preços internacionais dos combustíveis, a ministra indicou que, do ponto de vista fiscal, o Governo antevê uma possível redução do défice orçamental ou mesmo a obtenção de superavit, o que poderá diminuir a necessidade de recurso ao endividamento externo.
Relativamente à dívida pública, Vera Daves assegurou que esta “se mantém sustentável”, destacando os esforços do Executivo na gestão prudente da contratação de novos financiamentos.
A ministra considerou positiva a participação angolana nas reuniões do Banco Mundial e do FMI, destacando a realização de encontros bilaterais e multilaterais com diversas instituições e parceiros.
A delegação angolana integrou também o governador do Banco Nacional de Angola, Manuel Dias, o secretário de Estado do Planeamento, Luís Epalanga, além de técnicos de vários sectores governamentais.
As reuniões decorreram sob o lema “Construindo prosperidade por meio de políticas” e abordaram temas como industrialização em África, investimento no continente e o desenvolvimento do Corredor do Lobito.