
MPLA. Os amigos são para as ocasiões… desde que sejam boas. Há amizades sinceras. Outras não resistem ao primeiro abalo. Há relações de circunstância e de cinismo puro. No partido no poder, encontra-se de tudo. Um verdadeiro mosaico.
Higino Carneiro manifestou a intenção de se candidatar à liderança do MPLA. É um facto. Desde então, a sua vida política entrou em turbulência. Multiplicam-se suspeições. Propagam-se maledicências. Circulam inverdades. Tempos de intriga. Tempos de cobardia.
Alguns promovem tentativas de desqualificação. Associam-no à oposição. Desvalorizam o seu percurso. Tentam apagar o seu contributo como patriota e militante.
Em casa alheia não se mete a colher. Mas, quando estão em causa camaradas, o impacto muda de escala. Reflecte-se no País. Atinge o coração do Estado angolano. Alguns amigos afastam-se. Sem hesitação. Como quem evita contágio. Neste ambiente, a desinformação encontra terreno fértil.
Circula na blogosfera uma mensagem atribuída a Boaventura Cardoso. Não foi confirmada. Mas o próprio também não a desmentiu. O conteúdo diz o seguinte:
“Caros camaradas,
O meu nome consta, abusivamente, de uma lista que circula nas redes sociais como apoiante da candidatura do general Higino Carneiro à presidência do MPLA. É falso. Não me contactaram para esse efeito, nem me pronunciei sobre o assunto em momento algum.
O general Higino Carneiro é apenas um antigo colega de governo, com quem mantenho relações cordiais de amizade.
O resto constitui pura especulação. Não tenho nada a ver com essa lista. Declaro-o por minha honra.
Boaventura Cardoso.”
Se a mensagem é autêntica ou não, continua por esclarecer. Mas o efeito é imediato: Instala dúvida. Gera ruído. Alimenta especulação. Em paralelo, outro enredo circula. Aponta alegados contactos clandestinos de Julião Mateus Paulo “Dino” Matross com a UNITA.
Refere como objectivo a sua inclusão numa lista de candidatos a deputados nas eleições de 2027. Nada se confirma. Tudo se insinua.
Alguns produzem histórias para inglês ver. Outros fabricam instrumentos de confusão. Outros promovem tentativas de desgaste político.
Quem alimenta este circuito apresenta-se como defensor intransigente do partido no poder e da sua liderança. Mas este método fragiliza mais do que protege. Corrói por dentro. É perigoso. Muito perigoso.
O Presidente (cessante) da República e do MPLA teve oportunidade de se demarcar destas práticas. Não o fez de forma inequívoca. O seu silêncio funciona como tolerância. Como incentivo. Isso tem um custo.
Em política, os mecanismos usados contra uns acabam, mais cedo ou mais tarde, por se voltar contra outros. Quando João Lourenço deixar o poder, dificilmente poderá escapar a essa lógica.
Os activistas podem mudar de alvo. E então, vai provar da mesma cicuta. O veneno que hoje corrói, por dentro, camaradas do seu próprio partido.
*Jornalista