
O escritor angolano Manuel Rui Monteiro, autor da letra do Hino Nacional, converteu-se ao Islão aos 84 anos, tendo participado, na sexta-feira, 1 de Maio, na oração coletiva numa mesquita localizada na zona de Talatona, em Luanda.
A decisão, de carácter pessoal, marca uma nova etapa na vida do também jurista e antigo governante, figura de destaque da literatura e da história contemporânea de Angola.
Nascido a 4 de novembro de 1941, na então Nova Lisboa, actual Huambo, Manuel Rui formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, em Portugal.
Teve um papel activo no período da transição para a independência, tendo integrado o governo de transição em 1975, além de representar Angola em organismos internacionais como a Organização da Unidade Africana (OUA) e as Nações Unidas.
Reconhecido como um dos nomes maiores da literatura angolana, construiu uma obra multifacetada como poeta, contista, dramaturgo, romancista e cronista.
Entre os seus trabalhos mais conhecidos destacam-se títulos como Quem Me Dera Ser Onda e Rio Seco, que retratam com ironia e profundidade aspectos da sociedade angolana no período pós-independência.
Para além da literatura, Manuel Rui destacou-se também na música, ao escrever letras para vários artistas, entre os quais Rui Mingas, André Mingas, Paulo de Carvalho, Carlos do Carmo e Martinho da Vila.
A conversão religiosa surge numa fase avançada da sua vida, sendo vista por próximos como uma decisão íntima e refletida. Até ao momento, não foram divulgadas declarações públicas do escritor sobre os motivos que estiveram na base da sua adesão ao Islão.
A notícia tem gerado reacções diversas em círculos culturais e religiosos, dada a relevância simbólica de Manuel Rui na construção da identidade nacional angolana, sobretudo pelo seu contributo na criação da letra do Hino Nacional.