Governador do Moxico Leste acusado de liderar um esquema de contrabando de madeira
Governador do Moxico Leste acusado de liderar um esquema de contrabando de madeira
gov leste

Altos responsáveis do Governo Provincial do Moxico Leste estão a ser alvo de acusações de envolvimento num alegado esquema de contrabando de madeira e exploração florestal ilegal no município de Makondu, numa situação que levanta sérias dúvidas sobre a gestão dos recursos naturais e a actuação das instituições públicas na região.

Entre os visados estão o governador provincial, Crispiniano dos Santos, o procurador-geral adjunto, Éder José, e o comandante provincial da Polícia Nacional, António José Ribeiro, acusados por fontes locais de participação directa ou conivência num esquema que envolve a extracção e exportação ilegal de madeira para a vizinha Zâmbia.

Segundo relatos sustentados por imagens e vídeos, tractores e camiões provenientes daquele país entram regularmente em território angolano para proceder ao abate indiscriminado de árvores, com recurso a maquinaria pesada.

A madeira extraída é posteriormente transportada para fora do país, sem que haja, alegadamente, qualquer controlo efectivo por parte das autoridades.

No centro das denúncias surge o administrador municipal de Makondu, Paulo Kamukinya, apontado como intermediário no esquema, sendo responsável pela recolha de valores junto dos operadores envolvidos.

Um funcionário da administração local, identificado por Abraão, é referido como o agente que procede à cobrança directa no terreno, repassando os montantes às instâncias superiores.

De acordo com as mesmas fontes, cada camião carregado de madeira paga cerca de 50 mil kwachas – o equivalente a aproximadamente dois milhões de kwanzas – num circuito informal que evidencia a existência de uma rede organizada e lucrativa.

Os operadores incluem cidadãos estrangeiros, sobretudo zambianos e chineses, que, segundo as denúncias, actuam com relativa facilidade dentro do território angolano.

A alegada passividade – ou mesmo cumplicidade – de sectores da Polícia Nacional e da Guarda Fronteira é outro dos pontos críticos apontados, numa altura em que os meios utilizados atravessam a fronteira sem restrições aparentes.

A única excepção, segundo as fontes, será o responsável local do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE), que não é associado às práticas denunciadas.

Para além das implicações legais, o caso está a gerar forte indignação entre as populações locais, que denunciam os impactos ambientais da exploração descontrolada, incluindo a destruição de ecossistemas e o afastamento de abelhas, fundamentais para a produção de mel e para o equilíbrio ambiental.

Os residentes queixam-se ainda da ausência de benefícios sociais decorrentes da exploração dos recursos naturais, num município marcado por carências básicas, como falta de escolas, unidades de saúde e infra-estruturas rodoviárias.

“O que se vê é a saída constante de madeira, enquanto a população continua sem serviços essenciais. A riqueza local não beneficia as comunidades”, afirmou uma fonte local sob anonimato.

As denúncias referem igualmente que o anterior administrador municipal terá sido exonerado por se opor às práticas agora denunciadas, sendo substituído por um responsável considerado mais alinhado com os interesses do alegado esquema.

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