
O presidente do PRA-JÁ Servir Angola, Abel Epalanga Chivukuvuku, vai interpor uma acção judicial contra o secretário provincial da UNITA em Luanda, Adriano Abel Sapinãla, que o acusou de ter recebido dinheiro do MPLA para sustentar a sua formação política.
Em comunicado, o partido PRA-JÁ Servir Angola manifestou “veemente repúdio” pelas declarações públicas do deputado Adriano Abel Sapinãla, do Grupo Parlamentar da UNITA, considerando que atentam contra o bom nome e a imagem do seu presidente, Abel Epalanga Chivukuvuku.
“Vocês todos viram caixas térmicas (com dinheiro) a rolarem. Autênticas caixas, eu não quero falar sobre elas. Um político da dimensão do mano Abel, só mesmo em Angola e em África é que lhe legalizam o partido”, disse Adriano Abel Sapinãla num encontro com os militantes da UNITA.
“Na Europa estava preso. E tudo aquilo é uma corrupção muito activa, aliás, em França, o ex-presidente Nicolas Sarkozy foi julgado por isso e Sócrates, em Portugal, devido a um apartamento, anda em julgamento”, acrescentou.
Segundo o deputado à Assembleia Nacional, muitos quadros do PRA-JÁ não têm projecto e são usados pelo presidente do partido para o manter no cenário político angolano.
“Estava na CASA-CE, seguiram-no, agora no PRA-JÁ Servir Angola, seguiram novamente. Aquilo em política chama-se serventia”, referiu, sublinhando que não houve ainda escândalo na política fora do MPLA maior do que aquilo que Abel Chivukuvuku fez.
O partido de Chivukuvuku reagiu, afirmando que as declarações “são infelizes e revelam um comportamento político desprovido de elevação, responsabilidade e sentido de Estado”, alegando ainda que colocam em causa os princípios do pluralismo democrático e da convivência política saudável.
Segundo o PRA-JA, a forma como as declarações foram feitas – amplamente divulgadas em vídeo nas redes sociais – indicia má-fé, com recurso a linguagem de ataque pessoal, “ódio declarado” e premeditação, contribuindo, na visão do partido, para o agravamento da tensão política e o empobrecimento do discurso público.
A formação política sustenta que este tipo de posicionamento não contribui para o fortalecimento da democracia nem para a qualidade do debate político em Angola, desviando a atenção das preocupações reais dos cidadãos e fragilizando a confiança nas instituições.
O partido considera ainda “particularmente preocupante” que tais declarações partam de um responsável com funções parlamentares e partidárias, de quem se exige maior sentido de responsabilidade, moderação e compromisso com a ética política.
No mesmo documento, o PRA-JÁ anuncia que Abel Epalanga Chivukuvuku já instruiu o seu advogado a interpor uma acção judicial contra Adriano Abel Sapinala, com o objectivo de “repor a verdade, defender o bom nome e salvaguardar a dignidade pessoal”.
O partido reafirma, por fim, que “a política deve ser um espaço de construção de soluções, respeito pelas diferenças e confronto de ideias, e não um palco de ataques pessoais ou de instrumentalização de figuras políticas para ganhos conjunturais, reiterando o seu compromisso com o diálogo construtivo e a defesa dos interesses dos cidadãos angolanos”.
in NJ