Jornalistas angolanos anunciam greve de quatro dias a partir de 18 de Maio
Jornalistas angolanos anunciam greve de quatro dias a partir de 18 de Maio
imprensa estatal

O Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) anunciou a realização de uma greve nacional dos profissionais da comunicação social entre os dias 18 e 21 de Maio, em protesto contra a falta de respostas ao caderno reivindicativo apresentado à entidade patronal e às autoridades competentes.

A decisão foi tomada durante uma assembleia de jornalistas realizada no sábado, em Luanda, onde os profissionais aprovaram a paralisação dos trabalhos por um período de quatro dias.

Segundo o comunicado final do encontro, a greve terá início à meia-noite do dia 18 de Maio e deverá abranger diversos órgãos públicos e privados de comunicação social do país.

Apesar da paralisação, o sindicato assegura que serão garantidos os chamados serviços mínimos, nomeadamente a divulgação de informações consideradas de interesse público urgente, incluindo situações de calamidade, alertas à população e comunicados institucionais essenciais.

Numa primeira orientação interna, o SJA recomendou aos profissionais filiados que não se desloquem aos respectivos locais de trabalho durante o período da greve.

Entretanto, o sindicato informou que continua a manter consultas com especialistas e assessores jurídicos, com o objectivo de assegurar que a paralisação decorra dentro dos limites legais previstos pela legislação laboral angolana, evitando possíveis conflitos jurídicos e laborais.

A decisão dos jornalistas surge num contexto de crescente insatisfação no sector da comunicação social, marcado por queixas recorrentes relacionadas com baixos salários, precariedade laboral, atraso no pagamento de subsídios, falta de condições de trabalho e alegadas limitações à liberdade editorial em alguns órgãos públicos.

Nos últimos anos, organizações nacionais e internacionais de defesa da liberdade de imprensa têm alertado para os desafios enfrentados pelos profissionais da comunicação social em Angola, incluindo pressões políticas, fragilidade contratual e dependência financeira dos meios públicos em relação ao Estado.

A eventual paralisação poderá afectar significativamente a programação informativa de rádios, televisões, jornais e plataformas digitais, numa altura em que o país atravessa um período de forte tensão política e intensa movimentação pré-eleitoral.

Até ao momento, o Governo angolano e os responsáveis dos principais órgãos públicos de comunicação social ainda não reagiram oficialmente ao anúncio da greve.

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