Manuel Rui Monteiro nega conversão ao Islão
Manuel Rui Monteiro nega conversão ao Islão
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O escritor angolano Manuel Rui Monteiro desmentiu publicamente ter-se convertido ao Islão, contrariando informações que circularam nos últimos dias nas redes sociais e em vários meios de comunicação.

Numa declaração divulgada esta sexta-feira, Manuel Rui esclarece que a sua presença, no passado dia 1 de Maio, na Mesquita de Talatona, em Luanda, teve apenas um carácter de observação espiritual e interesse cultural, sem qualquer intenção de adesão religiosa.

“Venho por esta forma desmentir publicamente que me tenha convertido ao Islão”, escreveu o autor da letra do Hino Nacional angolano.

O escritor confirmou ter participado num ritual islâmico na mesquita, mas explicou que o fez “movido apenas pelo interesse e desejo de conhecer” aquela prática religiosa, à semelhança do que afirma já ter feito relativamente a outras crenças religiosas em Angola e no estrangeiro.

“Este meu comportamento não traduz nenhuma intenção de conversão ou adesão a esta ou a qualquer outra fé religiosa”, acrescentou.

Na mesma nota, Manuel Rui lamenta que o episódio tenha sido tornado público sem o seu consentimento, denunciando o uso não autorizado de fotografias da sua imagem.

“Lamento que este episódio tenha sido tornado público, incluindo com fotografias da minha imagem, com manifesto abuso por parte dos autores e responsáveis por essa divulgação não autorizada”, refere o escritor.

O também jurista reconhece ainda que o seu comportamento poderá ter contribuído para criar interpretações erradas sobre uma alegada mudança de religião.

A 2 de Maio, o Imparcial Press havia noticiado que Manuel Rui se teria convertido ao Islão após ter participado numa oração colectiva numa mesquita localizada na zona de Talatona.

A notícia gerou forte repercussão nos meios culturais, políticos e religiosos angolanos, tendo em conta a relevância simbólica do escritor na história contemporânea de Angola.

Nascido a 4 de Novembro de 1941, no então Nova Lisboa, actual Huambo, Manuel Rui formou-se em Direito na Universidade de Coimbra e desempenhou funções políticas e diplomáticas no período da independência angolana.

Além da sua participação no Governo de Transição de 1975, representou Angola em organismos internacionais como a Organização da Unidade Africana e as Nações Unidas.

Reconhecido como um dos mais importantes escritores angolanos, construiu uma vasta obra literária marcada pela crítica social, ironia e retrato do período pós-independência.

Entre os seus trabalhos mais conhecidos destacam-se “Quem Me Dera Ser Onda” e “Rio Seco”.

Manuel Rui destacou-se também na música, tendo escrito letras interpretadas por artistas como Rui Mingas, André Mingas, Paulo de Carvalho, Carlos do Carmo e Martinho da Vila.

O esclarecimento surge depois de vários comentários públicos e especulações sobre uma eventual mudança religiosa do escritor, que agora garante não ter abandonado as suas convicções pessoais nem aderido formalmente a qualquer religião.

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