O 27 de Maio de 1977, a juventude e o futuro – Marcolino Moco
O 27 de Maio de 1977, a juventude e o futuro - Marcolino Moco
Moco

Na sequência do post anterior, que criou um debate interessante de que me regozijo, escrevo este, sobre uma matéria que suspeito andar ligada ao mesmo assunto: desviar as atenções, especialmente dos mais jovens, enquanto a caravana da manutenção do poder de JLO [João Lourenço] passa, não da forma mais ética e moral, como se desejaria.

Para quê o reativar da CIVICOP com mais uns macabros assuntos, e, estas biografias que, por acaso vinham já há algum tempo a ser divulgadas, de conhecidos responsáveis cimeiros por uma parte da tragédia do chamado fraccionismo, se, embora com menos solenidade do que eu esperaria, o próprio PR actual já havia pedido perdão sobre o assunto, à sociedade angolana, especialmente, aos familiares enlutados?

Não acontecerá tudo isso, no quadro do tramar de alguns concorrentes ao cadeirão do MPLA, no próximo Congresso, tão apetecido porque o Estado angolano continua fortemente partidarizado por aquele partido, por vontade de gente que não vê outra coisa senão o poder?

Entretanto já vemos o preparar, outra vez, do assunto das “bruxas da Jamba” e quejandos, para quando chegar a hora, toda a “família MPLA”, incluindo os que agora são exaltados com a saga do fraccionismo, seja mobilizada contra os “malvados” da UNITA!

A juventude deve estar cônscia de que é um grave erro deixar-se atrair para problemas que, por mais que tenham uma importância transcendental de natureza histórica, já, não vão “mover” nenhum “moinho” para o futuro de que é dona. Quer dizer, até podem mover para pior, se deixarem que continuem a ser manipulados pelos “nadadores das águas turvas”.

Se fosse para debatermos coisas que, efectivamente, interessam aos jovens e seu futuro, talvez discutíssemos Monte Sumi, Cafunfo, mortos em recentes manifestações absolutamente pacíficas, presos políticos, adiamento das autarquias, estradas em decomposição; tudo porque o dinheiro é gasto na manutenção do poder e a promessa de JLO de combater a suposta corrupção do tempo de JES [José Eduardo dos Santos], caminha pior e sobre os carris da selectividade.

Promovamos a verdadeira reconciliação, sem abertos ou encobertos terceiros mandados que vão entupir ainda mais o futuro do país e da sua juventude. Que deve deixar de ser sempre atrelada ao pior do que foi o nosso passado.

Há pouco li Reginaldo Silva que acaba de no-lo recordar: depois de uns quantos mandatos fora do poder, o PAICV volta a governar Cabo Verde. Ninguém, por isso, terá morrido. Qual é o nosso problema? Especialmente nós, do MPLA?

Tenho medo que a CEAST já tenha deixado apagar o fogo do seu Congresso do ano passado. Bom houve um manifesto de intelectuais que, tudo indica, é de intenções pacíficas.

Caminhemos em paz, em direcção ao Futuro!

*Ex-secretário-geral do MPLA

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