
Apraz-me saudar os ilustres “DEPUTADOS” acima referidos na paz e no amor de Cristo.
Prezados compatriotas que por escolha indirecta do povo soberano depositou o voto de confiança para que os pudesse defender na base do que considero justo e digno na luta para o bem-estar das populações.
Foi com muita tristeza e indignação que testemunho nestes poucos anos que me restam de vida, já que vivi acima de 50% da esperança de vida em Angola, cuja condição me reduz a cada dia menos anos pela conjuntura do contexto social, muita das vezes, quando existe comprometimento, afecta-nos de algum modo e remete-nos na necessidade de intervir, não importando onde nos encontramos.
Antes de me alongar, auguro que a vossa reflexão sobre a “votação contra” uma discussão da greve dos professores vos sirva de uma praga que este povo vos irá dirigir, cujas consequências, vocês viverão com pesadelo para toda a vida quando não mais estiverem nas cadeiras timbradas com a insígnia do alto símbolo da Nação (Insígnia da República) que por si só, constitui um indicador de que seriam vocês os primeiros que tivessem o interesse sobre esta matéria.
A minha decepção não se limita apenas pelo facto de terem votado contra, mas por eu entender que muitos de vocês sóis professores e conhecem o sofrimento e as situações que gravitam em torno dos sérios problemas que a educação vive.
Diante dos fenômenos que o nosso país está, concretamente o índice de analfabetismo, muita das vezes funcional, não tenho como vos dissociar deste pacote porque vocês desconhecem por completo o vosso papel na Assembleia Nacional por uma razão que demostraram serem incapazes de saberem o que “de facto” constitui prioridade para uma Nação.
Como militante que depositou o seu voto para que vocês pudessem defender o que sempre partilhamos directa e indirectamente, sinto-me completamente incapaz de descrever o quanto é difícil entender o que é um desperdício de voto, talvez se eu tivesse uma antevisão, teria ficado em minha casa e abdicar-me em trabalhar afincadamente para hoje sermos desrespeitados por um lado, e por outro, testemunhar tamanha contraproducência que ao olho até dos que não tem a mínima noção, conseguem dar conta que vocês são uns vazios diante do que constitui a matriz “Política” principalmente pública a qual supostamente vocês se propuseram defender.
O futuro desta geração vos irá cobrar até o último suspiro das vossas vidas e é melhor começarem já a preparar as vossas reformas, porque como governantes, não servem para “patavina nenhuma” e estão a criar grandes nódoas a um partido que precisa de ser resgatado.
Penso que afinal não apanhamos a lição amarga dos resultados tangenciais que resultaram das eleições gerais de 24 de Agosto de 2022. Não se esqueçam que a maioria dos que votaram no MPLA, parte destes são professores que hoje vocês desdenham, e por sinal, professores dos vossos filhos, porque muitos de vocês não terão o suficiente para pagarem a formação dos vossos filhos em colégios da elite.
Quando chegar o momento de não mais terem os privilégios, voltarão para cá onde muitos estamos que o bem e a preparação de uma próxima geração, apelo o vosso silêncio, porque afinal não existe moral para supostamente continuarem a defender os anseios deste povo, quando o essencial que é a educação, vocês não conseguem sequer defender.
Tudo que advir de vós não tem mais valor pelo facto que o essencial e prioritário, não conseguem defender.
Termino apelando que continuem com os vossos tachos, mas não usem mais o povo para os vossos fins inconfessos, porque afinal, quem tem que defender o povo não são vocês, mas nós que todos os dias convivemos e sentimos o verdadeiro sofrimento.
Façam uma profunda reflexão!
Pelágio Ndafenongo Silikuvamwe (16.12.2022)