Trabalhadores da TVCabo Angola avançam para greve por falta de actualização salarial
Trabalhadores da TVCabo Angola avançam para greve por falta de actualização salarial
TV cabo

Trabalhadores da TVCabo Angola iniciaram esta segunda-feira uma paralisação laboral de cinco dias, em protesto contra aquilo que consideram ser a falta de progressão profissional, baixos salários e ausência de transparência sobre a situação financeira da empresa.

A greve, promovida no âmbito das negociações entre a administração e o sindicato representativo dos trabalhadores, decorre até sexta-feira e poderá ser seguida por uma segunda fase de paralisação prevista entre 22 de Junho e 3 de Julho, caso não sejam alcançados entendimentos entre as partes.

Funcionários da operadora de telecomunicações, detida em partes iguais pela Angola Telecom e pelo grupo português Visabeira, afirmam que a principal reivindicação está relacionada com a actualização da tabela ocupacional e das categorias profissionais, que alegadamente não sofre alterações há mais de uma década.

Segundo relatos recolhidos pelo Imparcial Press junto de trabalhadores, técnicos, administrativos, jardineiros e outros profissionais permanecem enquadrados em categorias salariais consideradas desajustadas às funções efectivamente desempenhadas.

“Há trabalhadores com mais de dez anos de serviço que nunca foram promovidos ou reclassificados. Praticamente todos recebem o salário mínimo nacional acrescido de apenas dez mil kwanzas, independentemente da responsabilidade ou especialização das funções”, afirmou um funcionário que solicitou anonimato.

Os trabalhadores acusam igualmente a administração de não apresentar informações detalhadas sobre a situação económica da empresa, apesar de justificar a impossibilidade de melhorias salariais com alegados resultados financeiros negativos registados nos últimos anos.

De acordo com os denunciantes, os trabalhadores nunca tiveram acesso, em reuniões internas, a documentos financeiros como balanços, demonstrações de resultados, fluxos de caixa ou balancetes que permitam avaliar a real situação económica da empresa.

“A empresa diz que acumula prejuízos nos últimos três anos, mas nunca apresentou aos trabalhadores os mapas financeiros que sustentem essas afirmações”, referiu outra fonte ligada ao processo negocial.

Os trabalhadores afirmam ainda possuir documentação relacionada com as negociações mantidas com a administração, incluindo actas de reuniões e outros elementos que, segundo dizem, demonstram as reivindicações apresentadas pelo sindicato ao longo dos últimos anos.

A TVCabo Angola foi criada em 1996 e é considerada uma das pioneiras dos serviços de televisão por cabo, internet e voz em Angola, tendo desempenhado um papel relevante na expansão das telecomunicações e dos serviços digitais no país.

Até ao momento, a administração da empresa não reagiu publicamente às reivindicações nem confirmou os termos das negociações em curso com os representantes dos trabalhadores.

A eventual extensão da greve poderá afectar parcialmente os serviços prestados pela operadora, dependendo da adesão dos trabalhadores e dos resultados das negociações previstas para os próximos dias.

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