
A embaixadora de Angola em França, Guilhermina Contreiras da Costa Prata, é alvo de novas denúncias relacionadas com a gestão de recursos da missão diplomática em Paris. Em causa estão alegadas despesas de cerca de 236 mil euros com o arrendamento de dois apartamentos privados luxuosos, apesar da existência de uma residência oficial pertencente ao Estado angolano.
Segundo apurou o Imparcial Press, a diplomata, nomeada para o cargo em Janeiro de 2023, optou por não ocupar a residência oficial quando chegou a Paris.
De acordo com os relatos, Guilhermina Prata terá vivido durante cerca de um ano e meio num apartamento com uma renda mensal de aproximadamente 5.500 euros, localizada em 120 Avenue de Villers, em Paris.
Posteriormente, mudou-se para um segundo imóvel, situado em 36 rue Michel Ange, igualmente em Paris, cujo arrendamento ascenderia a 8.300 euros por mês, onde permanece há cerca de dois anos.
Com base nesses valores, o Estado angolano teve despesas na ordem dos 236 mil euros apenas com rendas desde o início da missão diplomática, por simples “birras” da embaixadora.
Residência oficial
Fontes do Imparcial Press afirmam que a residência oficial da Embaixada angolana, que dispõe de piscina e de outras infra-estruturas compatíveis, estava disponível e reunia condições para acolher a chefe da missão.
Curiosamente, a mesma residência terá sido posteriormente utilizada pela representante permanente de Angola junto da UNESCO, sem que fossem conhecidas reservas quanto às condições do imóvel.
Há quase seis meses, Guilhermina Prata terá entretanto deixado o último apartamento arrendado e mudado para a residência oficial da missão diplomática, onde reside actualmente, acompanhada de uma filha, Ana Prata Vieira Dias, ex-esposa de Kopelipa Pitta Grós Vieira Dias, filho do general Manuel Hélder Vieira Dias, e de três netos.
A mudança ocorreu pouco depois de a Embaixada ter sido notificada de uma alegada inspecção do Tribunal de Contas de Angola, interpretação que levanta dúvidas sobre as razões que motivaram a alteração da residência.
Desaparecimento de obras de arte
Outra situação tem a ver com o desaparecimento de obras de arte, que custam os olhos da cara, deixado pelo antigo embaixador João Bernardo de Miranda, que integravam o património da residência oficial.
Segundo os relatos, alguns quadros de elevado valor deixaram de se encontrar no imóvel, desconhecendo-se o seu paradeiro. Suspeita-se que a mesma tenha vendida no mercado negro.
As críticas surgem num contexto em que vários funcionários da missão diplomática têm denunciado alegadas carências de meios. Entre as situações apontadas estão a degradação de viaturas de serviço, a falta de material de escritório e dificuldades operacionais que os obrigam a recorrer a recursos próprios para desempenhar as suas funções.
Na perspectiva dos denunciantes, a alegada despesa com o arrendamento de apartamentos contrasta com essas limitações e levanta questões sobre a gestão dos recursos públicos afectos à representação diplomática em Paris.