
Apesar das elevadas responsabilidades institucionais e da exigente agenda que lhe é imposta pelas funções que exerce, o presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, continua a encontrar espaço para uma das mais nobres missões de qualquer sociedade: ensinar.
Ao entrar numa sala de aula para leccionar aos estudantes de Direito, o professor Adão de Almeida recorda-nos que o conhecimento não deve ser abandonado quando se alcançam cargos de relevo. Pelo contrário, quanto maior for a experiência adquirida no exercício da vida pública, maior deve ser a disposição para a partilhar com as novas gerações.
Num tempo em que muitos associam o sucesso ao afastamento da academia, este gesto demonstra humildade, sentido de missão e compromisso com o futuro do país. O professor não é apenas alguém que transmite conteúdos; é um construtor de consciências, um orientador de caminhos e um exemplo vivo dos valores que pretende ver reflectidos na sociedade.
Nenhuma nação vence o atraso, a pobreza intelectual ou o subdesenvolvimento sem professores comprometidos com a formação dos seus cidadãos.
Estradas, edifícios e infra-estruturas são importantes, mas são as pessoas bem formadas que lhes dão sentido, utilidade e continuidade. É na sala de aula que se semeiam as competências, a ética, o pensamento crítico e o patriotismo esclarecido de que o País necessita para crescer de forma sustentável.
Por isso, quando um responsável de tão elevada dimensão institucional continua a ensinar, transmite uma lição que vai muito além das disciplinas jurídicas: ensina, pelo exemplo, que servir o país também é formar os seus quadros; que liderar não é apenas decidir, mas igualmente educar; e que o verdadeiro legado de um homem público mede-se não apenas pelos cargos que ocupa, mas pelas pessoas que ajuda a preparar para o futuro.
Durante algumas horas, o Parlamento ficou sem o seu presidente. Contudo, a academia recuperou um professor. E, nessa troca temporária, todos ganharam: os estudantes, a universidade e Angola.
Bem haja, professor Adão de Almeida. Que o seu exemplo inspire outros servidores públicos, académicos e profissionais a compreenderem que uma sociedade mais desenvolvida começa sempre pela valorização do ensino e pelo respeito devido à figura do professor, verdadeiro pilar de qualquer nação que aspire ao progresso, à justiça e à prosperidade.
Boa reflexão!
*Docente universitário