Funcionário de morgue detido por violação de cadáver no Hospital Municipal de Cacuaco
Funcionário de morgue detido por violação de cadáver no Hospital Municipal de Cacuaco
frankss

Um funcionário da morgue do Hospital Municipal de Cacuaco, em Luanda, foi detido na madrugada deste domingo por alegadamente ter sido apanhado em flagrante a praticar atos sexuais com o cadáver de uma jovem de 26 anos, vítima de um acidente de viação, confirmou a Polícia Nacional.

Segundo o porta-voz da Polícia Nacional em Luanda, superintendente-chefe Nestor Goubel, citado pelo Na Mira do Crime, a vítima, identificada por Ana Bela Soares, residia nos Estados Unidos da América e encontrava-se em Angola de férias quando morreu na sequência de um acidente de viação ocorrido na zona do Balumuca, comuna do Kicolo.

De acordo com a polícia, a jovem seguia numa motorizada que colidiu com uma viatura, acidente que provocou a morte imediata da passageira e do mototaxista. Os corpos foram posteriormente removidos para a Morgue Municipal do Hospital de Cacuaco.

As autoridades referem que, durante o processo de deposição dos cadáveres, um funcionário da unidade mortuária, identificado por Francisco Pedro Sangambe, de 52 anos, terá separado o corpo da jovem dos restantes.

Conforme a mesma fonte, devido à falta de espaço nas gavetas da morgue, o cadáver foi colocado no chão, circunstância que terá sido aproveitada pelo suspeito para consumar o alegado abuso sexual.

O homem foi surpreendido em flagrante por agentes da Polícia Nacional que se encontravam de serviço no hospital, acrescentou o responsável policial.

Fonte policial indicou ainda que o suspeito confessou os factos durante o interrogatório preliminar, afirmando que se encontrava sob o efeito de álcool no momento da ocorrência e manifestando arrependimento. O detido negou que este tipo de comportamento constitua uma prática habitual entre os funcionários da morgue.

O suspeito, pai de três filhos, será presente ao Ministério Público para os procedimentos legais subsequentes.

A necrofilia, designação atribuída ao ato de obter excitação ou satisfação sexual através de contacto com um cadáver, constitui uma parafilia e, em diversos ordenamentos jurídicos, é enquadrada como crime relacionado com o vilipêndio de cadáver e outros ilícitos penais aplicáveis.

Este não é o primeiro caso de alegada necrofilia registado em Angola. Em Agosto de 2023, o Imparcial Press noticiou, em primeira mão, a detenção de um homem de 38 anos pelo Serviço de Investigação Criminal em Benguela, suspeito dos crimes de profanação de cadáver e abuso sexual dos restos mortais de uma jovem de 22 anos, identificada como Stela Geovane Carvalho Gonçalves.

Segundo a investigação, o suspeito terá exumado o cadáver da jovem, que era a sua cunhada, sepultada na quadra 40, cova n.º 492, do Cemitério Municipal da Catumbela, e abusado sexualmente do corpo durante a noite.

Na altura, o porta-voz do SIC em Benguela afirmou que a investigação reuniu indícios suficientes para sustentar a acusação. Embora o suspeito não tivesse confessado os factos, o processo foi remetido ao Ministério Público para os devidos trâmites legais.

A necrofilia é uma parafilia caracterizada pela atração ou excitação sexual associada ao contacto físico ou à visão de cadáveres. Em termos jurídicos, o seu enquadramento varia entre ordenamentos legais.

Em Angola, actos desta natureza podem configurar o crime de atentado a restos mortais, previsto e punido pelo artigo 221.º do Código Penal.

Embora sejam casos pouco frequentes no país, episódios desta natureza tendem a provocar forte indignação pública, pela gravidade dos factos e pela violação da dignidade dos mortos.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido