
O analista da agência de ‘rating’ Fitch que segue a economia de Angola alertou, esta quinta-feira, para o perigo de uma derrapagem orçamental devido às eleições gerais que deverão ocorrer até Agosto de 2027.
“O que nos preocupa mais é o padrão histórico de aumento da despesa, aumentos salariais dos funcionários públicos e uma paragem na reforma dos subsídios aos combustíveis, que é a medida mais visível da contenção orçamental”, disse o analista Gabriel Comolet durante um seminário sobre a evolução das economias africanas.
Com o título ‘Conseguirá o bom momento nos ratings africanos sobreviver aos ventos geopolíticos contrários?’, o seminário em formato online passou em revista a evolução dos ratings da região, entre os quais estão Angola, Cabo Verde e Moçambique, todos abaixo da recomendação de investimento.
Sobre Angola, um dos quatro países analisados em pormenor no encontro, a Fitch Ratings mostra-se preocupada com o impacto do período eleitoral no controlo da despesa pública e diz que as eleições estão cada vez mais competitivas.
“A paisagem eleitoral em Angola é cada vez mais competitiva, a UNITA tem crescido em todas as votações e os resultados de 2022 foram os mais renhidos desde o fim da guerra civil, e a oposição já se mostrou preocupada com a integridade do processo eleitoral”, disse Gabriel Comolet, alertando que “se a trajectória histórica se concretizar, antevemos um aumento da despesa”.
Na última avaliação do país, feita há um mês, a Fitch Ratings decidiu manter o ‘rating’ de Angola em B-, com perspectiva de evolução estável, salientando o risco de haver uma “derrapagem na despesa” devido às eleições do próximo ano.
“A perspectiva estável reflecte a nossa opinião de que os riscos para o rating estão, em geral, equilibrados; preços mais elevados do petróleo podem gerar receitas extraordinárias, apoiando a consolidação orçamental e as reservas externas, mas este potencial de valorização é contrabalançado pelo risco de derrapagem nas despesas, particularmente no contexto de aproximação das eleições de 2027”, dizia então.
Na nota, os analistas alertam ainda que “a recuperação esperada da produção de petróleo permanece incerta, podendo potencialmente anular alguns dos ganhos”.
A Fitch Ratings decidiu manter a opinião sobre a credibilidade do país para honrar os compromissos financeiros, mantendo a nota de B-, abaixo do nível de credibilidade, ou em ‘lixo’, como é geralmente referido, devido a “indicadores de governação fracos, inflação elevada, níveis elevados de dívida pública em moeda estrangeira e uma das maiores dependências de matérias-primas entre os países avaliados”.
in Lusa