
O ministro dos Transportes, Ricardo d’Abreu, apresentou uma queixa-crime contra o jornalista e diretor do portal Repórter Angola, Daniel Garelo Frederico, mais conhecido por “Jonas Pensador”, na sequência de um artigo publicado em Outubro de 2021, no qual o governante era descrito como “gay”.
Segundo o jornalista, foi notificado verbalmente esta segunda-feira pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) para comparecer na próxima quarta-feira nas instalações daquela instituição, no município de Cacuaco, em Luanda, no âmbito do processo n.º 4606/2026, afeto à secção de crimes informáticos e instruído pela investigadora Domingas Alberto.
Em declarações ao Imparcial Press, Jonas Pensador afirmou que reside actualmente num país da União Europeia e que se encontra no Dubai para tratamento médico, razão pela qual não poderá responder, de imediato, à convocatória.
“Aconselhei a investigadora do SIC a notificar os meus advogados para os devidos efeitos”, afirmou.
O jornalista sustenta que não pode ser responsabilizado pelo conteúdo que motivou a queixa, alegando que o texto em causa consistia na reprodução integral de uma carta aberta subscrita por um alegado coletivo de trabalhadores da TAAG, na qual eram feitas críticas à gestão do ministro dos Transportes.
Segundo Jonas Pensador, o título da publicação foi posteriormente alterado, na sequência de uma convocatória da Comissão da Carteira e Ética (CCE), processo que, de acordo com o próprio, acabou por ser arquivado.
“Tratava-se de uma opinião de interesse público de trabalhadores que denunciavam um servidor público, após várias denúncias de má gestão na TAAG”, declarou.
O jornalista afirmou ainda que vive fora de Angola devido ao que considera serem perseguições políticas e ameaças à sua integridade física. Recordou igualmente um processo judicial anterior em que esteve envolvido, alegando ter sido acusado de injúria por um texto do qual diz não ser autor.
A propósito da notificação, Jonas Pensador apelou à Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar alegadas irregularidades no Ministério dos Transportes.
Entre outras alegações, defendeu que a PGR deveria apurar a aquisição, pelo Estado, de um edifício por mais de 114 milhões de dólares e os salários pagos a assessores da TAAG, bem como centrar atenções na melhoria da ligação aérea entre Luanda e Cabinda.