Actriz Ana Carina acusa TPA de exclusão profissional
Actriz Ana Carina acusa TPA de exclusão profissional
ana carina

A actriz e advogada angolana Ana Carina dos Santos Vieira acusou a Televisão Pública de Angola (TPA) de alegada exclusão profissional e falta de transparência na seleção de convidados e participantes dos seus conteúdos, questionando a existência de orientações internas que terão condicionado a sua presença em programas da estação pública.

Numa carta aberta dirigida aos órgãos de direção da TPA, a artista, com mais de duas décadas de carreira na ficção nacional, manifesta “indignação” perante situações que considera incompatíveis com os princípios de igualdade de oportunidades, imparcialidade e respeito pela dignidade profissional que devem reger uma instituição pública.

Ana Carina sustenta que a sua trajetória artística foi construída “através do trabalho, da persistência, do talento e da dedicação”, recordando a participação em produções televisivas como “Reviravolta”, “Sede de Viver”, “Entre o Crime e a Paixão” e “Minha Terra Minha Mãe”.

Segundo a actriz, a sua participação em programas da TPA terá sido condicionada em diversas ocasiões sob o argumento da inexistência de “ordens superiores” para a sua presença.

A artista refere que, em Dezembro de 2024, participou num programa dedicado a uma ação solidária de Natal, mas afirma ter tomado conhecimento posteriormente de que a produção enfrentou constrangimentos internos devido à sua participação.

Mais recentemente, diz ter sido informada de que o seu nome constava inicialmente de uma série de reportagens sobre actores que marcaram a história da ficção angolana, mas que acabou por ser retirado da lista de participantes por alegada necessidade de autorização superior.

Na carta, Ana Carina questiona os fundamentos legais ou institucionais que possam justificar tais decisões. “Que norma impede uma actriz com mais de duas décadas de carreira de participar em conteúdos de uma televisão pública?”, interroga.

A actriz defende que a TPA, enquanto órgão público de comunicação social, deve servir todos os cidadãos sem discriminação e alerta para o risco de se criar uma perceção de arbitrariedade ou censura incompatível com os princípios constitucionais.

Ao longo do documento, a artista refere ainda ter sido alvo de rumores e campanhas de descrédito que visam atingir a sua reputação profissional, sublinhando, contudo, que nunca foi condenada judicialmente por qualquer ilícito que pudesse justificar a sua alegada exclusão dos espaços televisivos públicos.

“A crítica não pode ser confundida com inimizade. A liberdade de expressão não pode ser confundida com subversão”, escreve.

Ana Carina aproveita ainda a carta para defender uma cultura institucional baseada no mérito e na inclusão, afirmando que continuará a exercer a profissão independentemente dos obstáculos que enfrente.

“Continuarei actriz. Continuarei a criar. Continuarei a servir a cultura angolana”, declara.

Até ao momento, a direção da TPA não se pronunciou publicamente sobre as alegações contidas na carta aberta.

A polémica surge num contexto em que vários profissionais do sector cultural têm vindo a defender maior abertura dos órgãos públicos de comunicação social à diversidade de vozes e criadores, num debate recorrente sobre pluralismo, acesso aos meios públicos e liberdade de expressão em Angola.

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