The day after Angotic 2026 – Eric Dário Martins
The day after Angotic 2026 - Eric Dário Martins
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Os eventos tecnológicos costumam ser avaliados pelos aplausos que recebem. O seu verdadeiro legado, porém, é medido pelo silêncio que vem depois. É precisamente nesse silêncio que devemos analisar o significado do ANGOTIC 2026.

Durante três dias, Luanda acolheu milhares de participantes, centenas de empresas, cerca de 310 startups e especialistas de diferentes países para discutir Inteligência Artificial, cibersegurança, economia espacial, conectividade e transformação digital.

Os números impressionam e demonstram a crescente relevância do evento no panorama tecnológico africano. No entanto, terminado o fórum, surge a questão mais importante: o que fica depois do evento?

O ANGOTIC revelou uma Angola mais confiante e mais consciente do papel que a tecnologia desempenha no desenvolvimento económico. Ao mesmo tempo, mostrou que o país procura posicionar-se numa corrida que já começou em várias regiões do continente.

Países como Rwanda, Quénia, Nigéria e África do Sul têm investido fortemente em inovação, serviços digitais, startups e desenvolvimento de competências tecnológicas.

Angola procura agora consolidar o seu próprio caminho. Entre os temas que mais marcaram esta edição esteve a Inteligência Artificial.

A tecnologia deixou de ser um conceito futurista para se tornar uma realidade com impacto direto na educação, saúde, finanças, telecomunicações e administração pública. Contudo, o desafio não está apenas na adoção destas ferramentas.

O desafio está na formação de profissionais capazes de as desenvolver, adaptar e utilizar para resolver problemas concretos da sociedade angolana. Outro destaque foi a crescente atenção dada ao sector espacial e ao ANGOSAT-2.

Mais do que um símbolo tecnológico, este ativo representa uma oportunidade para reforçar a conectividade, apoiar serviços estratégicos e aumentar a integração digital do país.

Mas a verdadeira questão continua a ser a mesma: como transformar infraestruturas em benefícios concretos para empresas, instituições e cidadãos?

A participação recorde de startups merece igualmente reflexão. O número é encorajador e demonstra criatividade, iniciativa e vontade de inovar.

Porém, a experiência internacional mostra que o sucesso de um ecossistema não depende apenas da quantidade de startups criadas. Depende da capacidade de transformar boas ideias em empresas sustentáveis, competitivas e capazes de gerar emprego qualificado.

Como engenheiro, considero que a principal mensagem do ANGOTIC 2026 não está numa tecnologia específica. Está na necessidade de execução.

Angola já demonstrou visão, ambição e interesse em participar na economia digital. O próximo passo consiste em transformar essa ambição em resultados mensuráveis, através da formação de capital humano, do apoio à inovação e da criação de um ambiente favorável ao crescimento tecnológico.

O verdadeiro “Day After” do ANGOTIC não acontece nos auditórios nem nos centros de conferência. Acontece nas universidades que formam a próxima geração de engenheiros, nas startups que procuram investimento, nas empresas que decidem inovar e nos jovens que acreditam que podem criar soluções para os desafios do país.

O ANGOTIC 2026 terminou. Mas o seu legado ainda está a ser escrito. Quando chegar a próxima edição, a pergunta não será quantas pessoas participaram ou quantos painéis foram realizados.

A pergunta será muito mais simples: o que foi efetivamente construído desde então?
É nessa resposta que será medido o verdadeiro impacto do ANGOTIC 2026.

*Engenheiro

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