
A Sociedade Gestora de Terminais (Sogester), empresa frequentemente apontada como próxima do MPLA, assumiu este sábado a gestão e exploração do Terminal Fluvial do Soyo, na província do Zaire, por um período de 20 anos, na sequência da conclusão do concurso público internacional lançado em 2025 para a concessão da infra-estrutura.
A transferência da gestão foi formalizada durante uma cerimónia realizada no próprio terminal, onde foram assinados os documentos de passagem operacional e entregue simbolicamente a chave da infra-estrutura à concessionária.
A decisão reforça a presença da Sogester no sector portuário nacional. Em Abril deste ano, a empresa já havia sido anunciada como vencedora do concurso para a gestão dos terminais dos portos de Cabinda e do Soyo, passando a controlar duas infra-estruturas consideradas estratégicas para a ligação marítima entre as províncias de Cabinda e do Zaire.
A concessão surge, contudo, num contexto em que continuam a ser levantadas dúvidas por diversos sectores sobre a transparência dos processos de atribuição de activos públicos e sobre a concentração da gestão de infra-estruturas estratégicas em empresas associadas ao partido que governa Angola há mais de cinco décadas.
Durante a cerimónia, a Sogester integrou igualmente 30 trabalhadores transferidos da anterior entidade gestora, que receberam equipamentos de protecção individual e kits de boas-vindas.
O administrador da empresa, Anatólio Barreira, afirmou que a concessionária possui cerca de duas décadas de experiência na gestão portuária e pretende investir na modernização do terminal.
“A nossa missão é desenvolver um serviço de qualidade, com maior investimento, para atrair mais operadores na área da cabotagem”, declarou.
Segundo o responsável, entre os principais desafios estão as limitações das infra-estruturas, da mobilidade e da circulação de pessoas e mercadorias, assegurando que a empresa pretende tornar os serviços mais eficientes e competitivos.
Barreira destacou ainda a posição estratégica de Angola na logística regional, sobretudo nas ligações entre o Soyo, Cabinda e a República Democrática do Congo, defendendo investimentos na valorização das infra-estruturas e na formação dos recursos humanos.
O Terminal Fluvial do Soyo entrou em funcionamento em 2022, sob gestão da Empresa Portuária do Soyo-EP e da Secil Marítima, tendo sido construído pelo Executivo para minimizar os efeitos da descontinuidade territorial entre Angola continental e a província de Cabinda.
Actualmente, a ligação fluvial entre o Soyo e Cabinda realiza cerca de dez viagens semanais de catamarã, transportando aproximadamente 4.800 passageiros.
Na ocasião, o presidente do Conselho de Administração da Empresa Portuária do Soyo, Fernando Dias, manifestou expectativa de que a nova concessionária assegure uma gestão mais moderna e eficiente da infra-estrutura, contribuindo para o fortalecimento da cabotagem e para o desenvolvimento económico da região norte do país.
A cerimónia contou com a presença de representantes do Governo Provincial do Zaire, da Administração Municipal do Soyo, investidores, membros da Secil Marítima, autoridades tradicionais e religiosas, entre outros convidados.