Favorecimento familiar e perseguições no Comando Provincial da Polícia no Uíge
Favorecimento familiar e perseguições no Comando Provincial da Polícia no Uíge
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O Comando Provincial da Polícia Nacional no Uíge está a ser alvo de denúncias que apontam para alegados casos de favorecimento familiar, perseguição interna e falta de imparcialidade na gestão de recursos humanos, envolvendo o delegado provincial do Ministério do Interior e comandante provincial da Polícia Nacional, comissário Ernesto Haiamunye.

Numa denúncia dirigida ao ministro do Interior e ao comandante-geral da Polícia Nacional, a que o Imparcial Press teve acesso, os subscritores apelam à intervenção urgente das autoridades para averiguar irregularidades que, segundo afirmam, têm contribuído para um clima de descontentamento, intimidação e perda de confiança no seio da corporação.

Segundo o documento, desde que assumiu funções, Ernesto Haiamunye terá promovido familiares e pessoas da sua confiança para cargos considerados estratégicos no comando provincial, situação que, na perspetiva dos denunciantes, compromete os princípios da imparcialidade, da meritocracia e da legalidade que devem nortear a administração policial.

Entre os casos apontados, a denúncia refere que o comandante municipal do Uíge é tio do comandante provincial, enquanto o segundo comandante municipal é igualmente identificado como seu familiar.

Acrescenta ainda que áreas sensíveis, como Logística, Transportes e Recursos Humanos, estarão sob responsabilidade de pessoas pertencentes ao seu círculo de confiança e familiar.

Os denunciantes alegam igualmente que decorrem diligências para afastar o actual chefe das Operações, conhecido por “Segunda”, através da sua passagem à reforma, com o objetivo de abrir espaço para a nomeação do actual comandante municipal do Uíge.

Na mesma denúncia é referido que o chefe da Educação Patriótica, Amadeu Cardoso, e o chefe Gaspar terão sido obrigados a assinar documentos para a passagem à reforma.

Os autores do documento questionam, contudo, o facto de outros oficiais que, alegadamente, já reúnem os requisitos legais para a aposentação, como o chefe dos Recursos Humanos e o comandante municipal do Uíge, permanecerem em funções.

Segundo os denunciantes, esta diferença de tratamento alimenta a percepção de que determinados efectivos, sobretudo naturais da província do Uíge, estariam a ser alvo de medidas selectivas.

A denúncia descreve ainda um ambiente interno marcado por alegados actos de perseguição, intimidação e bajulação, sustentando que muitos efectivos receiam manifestar descontentamento por receio de represálias.

Os subscritores afirmam também que o inspector provincial exerce uma influência significativa nas decisões do comando, enquanto os dois segundos comandantes provinciais estariam descontentes com a situação, mas sem capacidade de intervenção.

Perante este cenário, os denunciantes solicitam ao ministro do Interior e ao comandante-geral da Polícia Nacional a abertura de uma investigação para apurar a veracidade das alegações e, caso se confirmem, a adopção das medidas disciplinares e administrativas consideradas adequadas.

O Imparcial Press não conseguiu, até ao momento, obter um posicionamento do Comando Provincial da Polícia Nacional no Uíge sobre as acusações. Caso seja prestado esclarecimento, este será integrado em respeito pelo princípio do contraditório.

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