
Duas famílias da província do Zaire vivem momentos de angústia depois de uma alegada troca de cadáveres na morgue do Hospital Provincial do Zaire (HPZ), em Mbanza Kongo, situação que levou ao sepultamento, por engano, de um corpo diferente daquele que havia sido reclamado para funeral.
O caso envolve o cadáver de Manuel Casimiro, de 73 anos, que deu entrada na morgue no dia 25 de Julho, com o funeral agendado para 31 de Julho, numa aldeia do município de Mbanza Kongo.
Segundo familiares, após concluírem todos os procedimentos administrativos e prepararem as cerimónias fúnebres, deslocaram-se à morgue na manhã do dia 31 para levantar o corpo, mas foram informados de que o cadáver já não se encontrava na gaveta onde havia sido depositado.
Um dos filhos do falecido, que preferiu não ser identificado, afirmou que a família participou o caso ao Serviço de Investigação Criminal e aguarda esclarecimentos das autoridades.
“O funeral estava marcado para domingo. A família preparou-se para ir buscar o corpo, mas, quando chegámos à morgue, o cadáver já não estava”, contou.
De acordo com o familiar, as despesas relacionadas com o óbito continuam a aumentar, enquanto dezenas de parentes permanecem reunidos à espera de uma solução.
Após diligências realizadas pela própria família, surgiram indícios de que o corpo de Manuel Casimiro terá sido entregue, por engano, a outra família, que procedeu ao respetivo funeral dias antes.
Do outro lado, os familiares do falecido sepultado a 26 de Julho dizem ter descoberto que enterraram uma pessoa diferente da que lhes deveria ter sido entregue, uma vez que o cadáver do seu ente querido continua depositado na morgue do Hospital Provincial do Zaire.
Manuel Lemos, membro dessa família, afirmou não compreender como ocorreu a troca dos corpos. “O nosso familiar morreu no dia 19 de Julho e o funeral realizou-se no dia 26. Só agora soubemos que enterrámos outra pessoa. Estamos à espera de um esclarecimento das autoridades e enfrentamos dificuldades financeiras para realizar um novo funeral”, disse.
Perante o impasse, o regedor António Matumona Vanza apelou ao entendimento entre as duas famílias, sugerindo que aquela que realizou o funeral com o corpo trocado assuma as despesas relacionadas com as novas exéquias, de forma a evitar o agravamento do conflito.
Conforme o responsável tradicional, caso não seja alcançado um consenso, o diferendo será remetido ao Núcleo Tradicional do Lumbu para mediação.
A confirmar-se, trata-se do primeiro caso de alegada troca de cadáveres registado este ano no município de Mbanza Kongo.