
Uma fisioterapeuta denunciou alegadas situações de exploração laboral, assédio moral e violência psicológica durante a prestação de serviços em unidades de saúde geridas pela Mediplus Planos de Saúde Angola, tendo solicitado a intervenção da Inspecção Geral do Trabalho (IGT), da Procuradoria-Geral da República (PGR) e de outras entidades competentes.
Numa carta aberta dirigida às autoridades, aos profissionais de saúde e à sociedade civil, em posse do Imparcial Press, Leila Fernando afirma que foi contratada, em Setembro de 2024, para prestar serviços de fisioterapia, mas que, apesar de exercer funções de forma contínua, nunca lhe foi apresentado ou assinado qualquer contrato de trabalho.
Segundo a denunciante, após exercer funções na Clínica da Liberdade, foi colocada, em Dezembro de 2025, na unidade Casa da Saúde Talatona, onde diz ter organizado o serviço de fisioterapia, supervisionado estágios, orientado estagiários e acompanhado pacientes encaminhados por várias seguradoras, sem qualquer compensação adiccional pelas responsabilidades assumidas.
A fisioterapeuta refere ainda que, a partir de Agosto de 2025, passou a cumprir um horário fixo, com controlo diário de assiduidade, das 08:00 às 20:00, de segunda a sexta-feira, e aos sábados alternados, situação que, no seu entender, caracteriza uma relação de subordinação laboral, embora sem vínculo contratual formal.
Na carta, Leila Fernando sustenta igualmente que nunca beneficiou de férias nem do respectivo descanso anual durante o período em que prestou serviços à instituição.
A profissional relata que, posteriormente, os honorários pelos atendimentos em consultório foram reduzidos sem negociação prévia e que a contratação de novos fisioterapeutas teve como consequência uma diminuição significativa da sua carteira de pacientes.
De acordo com a denunciante, a situação agravou-se depois de recorrer a assessoria jurídica e comunicar os factos à Inspecção Geral do Trabalho.
Desde então, afirma ter sido alvo de alegadas medidas de retaliação, incluindo a transferência gradual dos seus pacientes para outros profissionais, a redução dos atendimentos domiciliários, o impedimento de novas marcações em seu nome e a divulgação, junto de pacientes, de que deixaria de prestar consultas, apesar de continuar disponível para trabalhar.
Leila Fernando considera que tais medidas visam forçar o seu afastamento da instituição através de um despedimento indireto.
Na carta, denuncia ainda alegados episódios de assédio moral, violência verbal, psicológica e emocional, bem como abuso de autoridade, afirmando que o ambiente de trabalho se deteriorou após reclamar dos seus direitos laborais.
A fisioterapeuta pede à IGT que averigue a legalidade da relação laboral mantida com a Mediplus, investigue as alegadas práticas de assédio e eventuais atos de retaliação e promova a responsabilização dos envolvidos, caso sejam confirmadas violações da lei.
A denunciante afirma estar disponível para colaborar com as autoridades, facultando documentos, folhas de presença, mensagens e outros elementos que, segundo refere, sustentam as alegações constantes da carta.
O Imparcial Press tentou obter um posicionamento da Mediplus Planos de Saúde Angola sobre as acusações, mas, até ao momento, não foi possível obter uma reação oficial.