Jornal “O Continente” pode regressar às bancas em Setembro sob gestão de Riquinho
Jornal "O Continente" pode regressar às bancas em Setembro sob gestão de Riquinho
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O semanário angolano O Continente, que se encontra fora do mercado há vários anos, poderá voltar a circular em Setembro, numa operação que está a ser preparada pelo empresário Henrique Miguel “Riquinho”, um dos sócios da publicação, em meio a um antigo e complexo diferendo societário.

Segundo informações avançadas ao Imparcial Press, Riquinho, que detém 40% do capital da sociedade, já terá iniciado contactos para recrutar antigos jornalistas do Continente e integrar novos profissionais na redacção, com o objectivo de relançar a publicação.

A informação surge num contexto de divergências entre os accionistas sobre o futuro do jornal. De acordo com elementos recolhidos pelo Imparcial Press, a participação de Riquinho continua a representar uma parcela significativa do capital social, enquanto os restantes 60% estão associados a investidores ligados à família Madaleno.

A disputa em torno d’ O Continente não é recente. Registos publicados pela imprensa angolana mostram que o jornal esteve envolvido, desde pelo menos 2013, num conflito entre os seus accionistas.

Segundo uma notícia publicada pelo Club-K em Dezembro de 2013, a estrutura inicial do jornal incluía Walter Daniel, com 40%, Henrique Miguel, também com 40%, e Jamba Lima, com 20%.

Posteriormente, houve uma alteração da estrutura accionista que colocou interesses ligados à família Madaleno na posição maioritária.

O conflito chegou aos tribunais. Em 2013, uma providência cautelar do então Tribunal Provincial de Luanda determinou restrições à actuação de Riquinho na gestão da publicação, impedindo-o de imprimir o jornal sem o consentimento do novo sócio maioritário, segundo a imprensa da época.

A relação entre Riquinho e o Continente viria a ser marcada por outros episódios judiciais e laborais. Em 2015, o empresário foi condenado pelo Tribunal Provincial de Luanda a quatro anos de prisão efectiva por crimes de abuso de confiança e burla relacionados com uma operação envolvendo participações no jornal, segundo noticiou então a Rede Angola.

Também foram registados conflitos com trabalhadores. Em 2013 e 2014, profissionais do jornal denunciaram atrasos salariais e outros problemas laborais, tendo alguns recorrido às vias judiciais.

40% que podem voltar a colocar o jornal em circulação

A actual disputa ganha particular importância porque, segundo as informações agora recolhidas, Riquinho entende que a sua posição de sócio e os poderes que ainda conserva nos estatutos lhe permitem promover o funcionamento da sociedade e trabalhar para o relançamento do jornal.

A interpretação sobre os poderes do empresário, contudo, é contestada pela outra parte da estrutura accionista, pelo que a eventual retoma da publicação poderá voltar a desencadear uma disputa judicial.

Em Abril de 2025, uma publicação angolana noticiou que Riquinho estaria disposto a vender os seus 40% no Continente, participação que estaria então a ser colocada no mercado. A notícia identificava Licas Madaleno como seu sócio e referia a família Madaleno como ligada à posição maioritária.

O eventual regresso do Continente representa também uma questão laboral. Segundo os dados fornecidos ao Imparcial Press, mais de 20 antigos trabalhadores – entre jornalistas e pessoal administrativo – permanecem afastados da actividade desde a paralisação do jornal.

A imprensa angolana já havia associado o encerramento do Continente às dificuldades financeiras enfrentadas pelos órgãos de comunicação social privados.

Em 2022, uma publicação especializada no sector referiu o Continente entre os jornais privados que tinham deixado de circular em papel, num contexto marcado pelo aumento dos custos de impressão e pela crise do sector.

A intenção de relançamento anunciada por Riquinho poderá, assim, representar uma tentativa de recuperar uma marca com uma longa presença no mercado angolano, mas também reabrir um conflito societário que se arrasta há mais de uma década.

O Imparcial Press tentou obter uma posição dos restantes accionistas sobre a alegada preparação do relançamento e sobre a actual situação societária do Continente, mas, até à publicação desta notícia, não dispõe de uma resposta.

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