Primeira-Dama do Burundi distinguida com Prémio de População das Nações Unidas
Primeira-Dama do Burundi distinguida com Prémio de População das Nações Unidas
Angeline Ndayishimiye

A Primeira-Dama do Burundi, Angeline Ndayishimiye, foi distinguida com o Prémio de População das Nações Unidas de 2026, na categoria institucional, pelo trabalho desenvolvido pela Fundação Bonne Action Umugiraneza nas áreas da saúde, educação e bem-estar das comunidades burundesas.

O prémio foi entregue na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, e reconhece, segundo a Fundação Merck, a contribuição da organização presidida por Angeline Ndayishimiye para a melhoria das condições de saúde, educação e bem-estar da população do Burundi.

A Fundação Merck, braço filantrópico da empresa alemã Merck KGaA, felicitou a Primeira-Dama e a Fundação Bonne Action Umugiraneza, destacando uma parceria iniciada em 2020 e que, segundo a organização, tem incidido no reforço das capacidades do sistema de saúde, na educação de meninas e na sensibilização das comunidades para questões sociais e de saúde.

“Este reconhecimento é muito merecido e reflecte o compromisso e o importante trabalho da Fundação na melhoria da saúde e do bem-estar do povo do Burundi”, afirmou a presidente executiva da Fundação Merck e presidente da Iniciativa Primeiras-Damas da Fundação Merck, senadora Rasha Kelej, citada num comunicado enviado à redacção do Imparcial Press.

O reconhecimento de 2026 ocorre três anos depois de Angeline Ndayishimiye ter recebido o Prémio de População das Nações Unidas na categoria individual, em 2023, pelo seu trabalho na promoção da saúde e do bem-estar no Burundi.

Segundo a Fundação Merck, a cooperação com o Burundi envolve o gabinete da Primeira-Dama, a Fundação Bonne Action Umugiraneza e diferentes ministérios, nomeadamente os responsáveis pelas áreas da Saúde, Educação, Comunicação e Género.

A organização filantrópica afirma que a colaboração permitiu desenvolver iniciativas de sensibilização sobre educação de meninas, prevenção do casamento infantil, combate à violência baseada no género, empoderamento das mulheres e redução do estigma associado à infertilidade.

No domínio da saúde, a Fundação Merck diz ter concedido 55 bolsas de estudo a médicos burundeses para formação em especialidades consideradas prioritárias e com escassez de profissionais no país.

Entre as áreas apoiadas encontra-se a medicina da fertilidade, tendo a organização afirmado que proporcionou formação especializada aos primeiros especialistas em fertilidade, embriologistas e técnicos burundeses, contribuindo para a criação do primeiro centro público de fertilização ‘in vitro’ (FIV) do Burundi.

A parceria inclui igualmente formação e desenvolvimento de competências em áreas como oncologia e tratamento da diabetes, com o objectivo declarado de aumentar a capacidade do sistema público de saúde para prestar cuidados especializados no país.

“A nossa filosofia sempre foi desenvolver capacidade na área da saúde, não dependência”, afirmou Rasha Kelej, defendendo que o investimento na formação de profissionais permite aos países desenvolver especialistas que permanecem integrados nos respectivos sistemas públicos de saúde.

Na área da educação, a Fundação Merck afirma apoiar, através do programa “Educar Linda”, 40 meninas burundesas por ano, seleccionadas pelo desempenho académico e por se encontrarem em situação de vulnerabilidade económica.

O programa prevê bolsas de estudo destinadas a permitir que as beneficiárias permaneçam no sistema de ensino e concluam os seus estudos. A iniciativa inclui ainda a distribuição de kits escolares e livros de histórias a estudantes.

A Fundação Merck considera que a educação de meninas constitui uma das principais ferramentas para o empoderamento das mulheres e a transformação das comunidades, associando este trabalho às campanhas de sensibilização lideradas pela Primeira-Dama.

A cooperação inclui também campanhas de comunicação e sensibilização comunitária através de meios de comunicação social, materiais educativos, literatura infantil, música e outras plataformas destinadas a abordar questões de saúde e problemas sociais.

A Fundação Merck sustenta que a articulação entre formação de profissionais de saúde, educação e sensibilização comunitária permite combinar o desenvolvimento de capacidades institucionais com intervenções directas junto das populações.

A organização indicou ainda que pretende manter e ampliar a colaboração com a Fundação Bonne Action Umugiraneza e com as autoridades burundesas, tendo como prioridades declaradas o reforço da capacidade de prestação de cuidados de saúde, a educação de meninas, o empoderamento das mulheres e a promoção da prevenção e detecção precoce de doenças como a diabetes e a hipertensão.

O Prémio de População das Nações Unidas é atribuído em reconhecimento de contributos considerados relevantes para questões relacionadas com população, saúde e desenvolvimento.

No caso do Burundi, o reconhecimento institucional de 2026 junta-se à distinção individual atribuída a Angeline Ndayishimiye em 2023.

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