
Quase três anos depois do rapto e morte do oficial sénior do Serviço de Inteligência Externa (SIE) Sebastião Maria de Sousa Penelas, as autoridades angolanas não tornaram públicos resultados conclusivos sobre a investigação nem a identificação dos responsáveis pelo crime.
Sebastião Penelas, empresário e antigo oficial sénior do SIE, de 62 anos, desapareceu na noite de 17 de Outubro de 2023, na zona do Zango, então integrada no município de Viana e actualmente pertencente ao município de Calumbo, província do Icolo e Bengo.
O seu corpo foi encontrado em 31 de Outubro, no interior da sua viatura, nas proximidades da centralidade do Zango 8000. Segundo informações divulgadas na altura, o cadáver encontrava-se em avançado estado de decomposição e os seus pertences permaneciam no veículo.
Documentação relativa à autópsia, consultado pelo Imparcial Press na altura, indicou traumatismo craniano como causa da morte. O mesmo conjunto de informações sustenta que Penelas terá estado privado da liberdade antes de morrer e que apresentava sinais compatíveis com agressões.
Não são conhecidos publicamente, contudo, elementos de uma investigação judicial que permitam determinar as circunstâncias exactas da morte, os seus autores ou a eventual motivação do crime.
Penelas era descrito por antigos colegas como um quadro com longa experiência nos serviços de informações angolanos, tendo desempenhado funções relacionadas com a inteligência externa e missões de cooperação no estrangeiro.
Segundo informações divulgadas por este jornal na altura, embora estivesse reformado, Penelas teria sido chamado para assumir funções de liderança na PROJEM Empreendimentos e Participações, alegadamente por orientação superior.
A referida empresa esta relacionada com operações financeiras e patrimoniais de estruturas de informação do Estado angolano.
As informações divulgadas sobre os últimos meses de Penelas incluem ainda alegadas divergências no interior dos serviços de inteligência e alterações na estrutura dirigente do SIE.
Casos semelhantes
A morte de Penelas é também mencionada em denúncias sobre outros antigos quadros dos serviços de inteligência angolanos que morreram em circunstâncias consideradas pouco esclarecidas.
Entre os nomes referidos encontram-se Moisés dos Santos, Domingo José Francisco, conhecido por “Minguito”, e Laurindo Vieira, associado à inteligência militar.
No caso de Penelas, familiares e antigos colegas têm reclamado o esclarecimento do homicídio e a responsabilização dos seus autores.
Alegações sobre um “Comando Invisível”
Algumas das denúncias divulgadas na sequência da morte de Penelas fazem referência à alegada existência de um grupo clandestino designado “Comando Invisível”, a que são atribuídas várias mortes de antigos ou actuais quadros dos serviços de informações.
As mesmas denúncias procuram estabelecer uma ligação entre alegadas mortes de antigos agentes angolanos e um incidente ocorrido no Gabão, envolvendo Gilberto Veríssimo, antigo presidente da Comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC).
O caso permanece, assim, sem uma conclusão pública conhecida sobre quem ordenou ou executou o rapto e homicídio de Sebastião Maria de Sousa Penelas.
A ausência de informação pública não permite determinar se existem investigações em curso ou se foram produzidos elementos que permanecem sob segredo de justiça.
Quase três anos depois, a morte de um antigo quadro sénior do SIE continua, por isso, a suscitar interrogações entre familiares e antigos colegas, enquanto não são conhecidos publicamente autores, mandantes ou uma motivação para o crime.