
A directora de Estratégia de Recursos Humanos e Cultura Organizacional da TAAG, Tânia Alexandra Chaves Marques, foi afastada esta semana do cargo que ocupava desde 2025, segundo informações obtidas pelo Imparcial Press.
A saída ocorre num período marcado por conflitos laborais e sucessivas denúncias relacionadas com a gestão do Capital Humano da companhia.
Entre os principais motivos apontados por fontes internas para o afastamento está um alegado período de doença que terá levado Tânia Marques a trabalhar a partir de casa durante cerca de dois meses, aproximadamente cinco meses depois de ter sido nomeada para a função.
As mesmas fontes questionam a sua capacidade de assegurar presencialmente a gestão de uma área considerada estratégica para a transportadora nacional.
As fontes do Imparcial Press alegam igualmente que, durante determinado período, Tânia Marques terá acumulado as funções de directora de Desenvolvimento e Estratégia de Capital Humano e Cultura Organizacional com as de directora de Operações de Capital Humano e Cultura Organizacional, esta última anteriormente exercida por Cidalina de Oliveira Tavares Ferreira Sales.
Segundo os relatos, a estrutura de Desenvolvimento e Estratégia de Capital Humano e Cultura Organizacional terá sido criada pela administradora executiva Neide do Rosário Pinto Teixeira “para acomodar Tânia Marques”.
A gestão da área de Capital Humano voltou a estar sob pressão com o anúncio da greve do Sindicato dos Técnicos de Manutenção Aeronáutica (STMA).
Funcionários ouvidos pelo jornal consideram que, em anteriores situações de crise laboral, a Direcção de Recursos Humanos assumia um papel central nas negociações, enquanto a actuação de Tânia Marques teria constituído uma excepção.
As críticas surgem ainda na sequência de denúncias sobre alegado nepotismo e favorecimento dentro da TAAG, envolvendo processos de contratação, progressões salariais, atribuição de regalias e utilização de bilhetes de facilidade de passagem. Os trabalhadores defendem maior transparência na definição dos critérios e no controlo destes benefícios.
No caso de Tânia Marques, fontes internas utilizam a expressão “comparsa de Neide Teixeira”, numa alegada referência à proximidade entre ambas e à forma como terão sido conduzidos determinados processos de gestão de pessoal.
As mesmas fontes levantam ainda questões sobre a composição do agregado familiar de Tânia Marques, afirmando que “o namorado e os filhos do namorado” terão sido incluídos no seu agregado para efeitos de benefícios associados à companhia.
Os trabalhadores questionam “quais os documentos usados para agregar os mesmos” e defendem que a situação seja submetida a verificação documental.
As alegações sobre contratação, salários, agregados familiares e bilhetes de facilidade surgem num contexto em que a administradora executiva Neide do Rosário Pinto Teixeira, responsável pelos pelouros Jurídico e de Capital Humano, também tem sido alvo de denúncias internas sobre alegados favorecimentos a familiares e pessoas próximas.
Tânia Marques assumiu funções na TAAG em 2025, com responsabilidades ligadas à estratégia de Recursos Humanos e Cultura Organizacional. O seu percurso profissional inclui experiência anterior na área de Recursos Humanos e passagens por empresas privadas, antes de ingressar na transportadora de bandeira angolana.
A saída da directora ocorre, assim, numa altura particularmente sensível para a TAAG, que enfrenta reivindicações sindicais, processos de reorganização interna e críticas sobre os critérios utilizados na gestão dos recursos humanos.
O Imparcial Press procurou obter uma reacção da TAAG e de Tânia Alexandra Chaves Marques sobre o afastamento e as alegações apresentadas pelas fontes internas. Até ao momento, não foi disponibilizada uma posição oficial. Os visados mantêm o direito de resposta.