
A Marinha de Guerra de Angola recebeu seis veículos aéreos não tripulados HT-100 Naval, da empresa suíça ANAVIA, depois da conclusão dos ensaios de aceitação em fábrica realizados entre 24 e 28 de Agosto, em Bilten, na Suíça.
A informação foi divulgada ontem, quinta-feira, 10, pela EDGE Group, que confirmou a conclusão dos testes e a entrega dos seis sistemas às autoridades angolanas.
Os ensaios incluíram os primeiros voos operacionais de todas as aeronaves e contaram com a participação de uma delegação da Marinha de Guerra de Angola e da Simportex.
Os drones serão integrados nas três corvetas BR71 MKII Combattante adquiridas por Angola no âmbito de um programa naval avaliado em mil milhões de euros.
Cada navio deverá operar com dois HT-100 Naval, equipados com sensores electro-ópticos para captação de imagens em espectro convencional e infravermelho.
O sistema foi concebido especificamente para operações marítimas e dispõe de aterragem autónoma no convés, protecção contra corrosão e ligações de dados encriptadas, podendo incorporar comunicações via satélite e LTE.
Segundo a ANAVIA, o HT-100 Naval pode permanecer no ar até seis horas, atingir uma velocidade máxima de 120 km/h e transportar até 60 kg de carga útil.
A plataforma está vocacionada para missões de vigilância, reconhecimento e segurança marítima, podendo apoiar o controlo da zona económica exclusiva, combate à pesca ilegal, detecção de embarcações suspeitas e operações de busca e salvamento.
O próximo passo do programa será a realização, em Angola, dos testes de mar da capacidade integrada, com os drones instalados a bordo das corvetas. A conclusão desta fase deverá aproximar o sistema da entrada efectiva ao serviço da Marinha.
A primeira corveta, NRA Ekuikui II, foi lançada em Cherbourg, França, em 4 de Março deste ano. A segunda está a ser construída pela Abu Dhabi Ship Building (ADSB), nos Emirados Árabes Unidos, enquanto a terceira é produzida igualmente em Cherbourg pela CMN.
O contrato de mil milhões de euros para as três BR71 MKII foi assinado em Fevereiro de 2023. As embarcações têm cerca de 70 metros de comprimento e foram concebidas para missões de combate e patrulhamento, estando equipadas com sistemas de radar, guerra electrónica, comunicações seguras e armamento de superfície e antiaéreo.

A integração dos HT-100 acrescenta uma componente aérea não tripulada às novas corvetas, permitindo ampliar a capacidade de observação para além do alcance dos sensores instalados directamente nos navios.
A imprensa especializada destaca que os drones poderão ser utilizados em missões de vigilância e reconhecimento, complementando os meios navais e aéreos convencionais.
Para a EDGE, a conclusão dos ensaios representa um passo importante na concretização do programa naval angolano, combinando as capacidades das corvetas construídas pela CMN e ADSB com sistemas não tripulados da ANAVIA.
A empresa considera que a solução permitirá reforçar as capacidades angolanas de vigilância e reconhecimento marítimo.
A entrada progressiva destas capacidades ocorre no quadro da modernização da Marinha de Guerra de Angola, com particular relevância para a vigilância da costa atlântica e das águas sob jurisdição nacional, num país com cerca de 1.600 quilómetros de litoral.