Funcionários da PRODEL ameaçam greve após fracasso das negociações salariais
Funcionários da PRODEL ameaçam greve após fracasso das negociações salariais
Prodel

Os funcionários da Empresa Pública de Produção de Electricidade (PRODEL) ameaçam avançar para uma greve depois de as negociações entre a comissão sindical e a administração da empresa terminarem sem acordo sobre o reajuste salarial e outras reivindicações laborais.

O principal ponto de divergência está no aumento dos salários. Os sindicatos que integram o Pacto de Convergência reivindicam um reajuste de 75%, enquanto a administração da PRODEL propõe uma actualização de 25% sobre o salário-base, a aplicar a partir de Setembro corrente.

Além da componente salarial, permanecem sem consenso questões relacionadas com a melhoria do seguro de saúde e a aplicação de subsídios de produção, risco e poluição sonora, reivindicações que os trabalhadores consideram igualmente importantes face às condições em que desempenham as suas funções.

Perante o impasse, a comissão sindical deverá remeter o processo às assembleias de trabalhadores, que terão de avaliar a proposta da administração e decidir sobre a eventual convocação de uma paralisação.

Os trabalhadores afirmam, entretanto, que continuam disponíveis para o diálogo e aguardam uma posição da administração sobre o caderno reivindicativo apresentado. A comissão sindical mantém a rejeição da proposta de 25%, considerando insuficiente o reajuste colocado sobre a mesa.

A eventual greve poderá atingir uma empresa considerada estratégica para o sector eléctrico nacional. A PRODEL é responsável pela exploração dos centros electroprodutores do Sistema Eléctrico Público e, segundo dados divulgados pela própria empresa, os seus activos asseguram mais de 95% da geração de electricidade em Angola.

A empresa opera centrais de produção hídrica, térmica e solar, mantendo também uma estratégia de expansão das energias renováveis.

Entre os projectos mais recentes está a Central Fotovoltaica do Luau, no Moxico Leste, inaugurada em Maio de 2026, com 32 MWp de capacidade instalada e 79 MWh de armazenamento em baterias. A central é operada pela PRODEL.

A dimensão da actividade da empresa torna as reivindicações laborais particularmente sensíveis. A PRODEL tem sob sua responsabilidade unidades de produção distribuídas pelo país e desempenha um papel central no fornecimento de energia ao Sistema Eléctrico Público.

O próprio regulamento interno da empresa estabelece que o sistema remuneratório deve considerar factores como o grau académico, antiguidade, avaliação de desempenho e ausência de infracções disciplinares, enquanto a definição da remuneração-base e dos escalões deve assentar em estudos de mercado e simulações destinadas a evitar distorções remuneratórias.

É neste quadro que funcionários e administração procuram encontrar uma solução para o actual impasse. Sem entendimento, a decisão sobre uma eventual greve deverá agora passar pelas assembleias de trabalhadores, podendo abrir uma nova frente de tensão laboral numa empresa com peso directo na produção de electricidade do país.

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