
A Turkish Airlines retirou definitivamente Luanda da sua programação futura, transformando uma suspensão inicialmente anunciada como temporária numa saída efectiva do mercado angolano.
A decisão ocorre numa altura em que o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto (AIAAN) continua a enfrentar o desafio de atrair tráfego e consolidar-se como plataforma regional de aviação.
A transportadora turca tinha suspendido as operações para Luanda durante 2026, inicialmente até 24 de Outubro.
Na actualização do seu programa de voos, a companhia eliminou definitivamente Luanda da programação, juntamente com Juba, Kinshasa, Libreville e Lusaka, cinco destinos africanos que estavam igualmente suspensos.
A suspensão inicial foi enquadrada pela Turkish Airlines num contexto de aumento dos custos operacionais, incluindo o combustível. A companhia procedeu este ano a uma revisão mais ampla da sua rede internacional, suspendendo 18 destinos.
Os dados de programação analisados pela AeroRoutes indicam que a ligação Istambul–Luanda–Kinshasa–Istambul deixou de operar em Maio, tendo o último voo de regresso ocorrido a 3 de Maio.
A saída encerra uma ligação que permitia aos passageiros em Luanda aceder à extensa rede internacional da Turkish Airlines através de Istambul. A própria página de reservas da companhia já não apresenta ofertas para a rota Istambul-Luanda nos meses seguintes.
A decisão acontece num período particularmente sensível para o AIAAN, inaugurado em Novembro de 2023 e projectado para movimentar 15 milhões de passageiros por ano, sendo 10 milhões no tráfego internacional e cinco milhões no doméstico. O Governo apresentou a infra-estrutura como uma peça central da estratégia para transformar Angola num hub regional.
A dimensão da infra-estrutura contrasta, contudo, com os níveis de utilização registados até agora. Segundo dados citados pela Euronews, o aeroporto movimentou 756.028 passageiros durante todo o ano de 2025, muito abaixo da capacidade para a qual foi dimensionado.
Até 24 de Fevereiro de 2026, o movimento acumulado desde o início das operações de passageiros tinha atingido 1.090.861 passageiros, dos quais 444.212 internacionais.
A transferência integral das operações comerciais do antigo Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro para o AIAAN ficou concluída em 1 de Março de 2026, quando a Airlink transferiu as suas ligações para Joanesburgo. A mudança ocorreu mais de dois anos depois da inauguração da nova infra-estrutura.
Apesar dos números ainda modestos face à capacidade instalada, a administração aeroportuária mantém uma perspectiva de crescimento. Em Dezembro de 2025, a Direcção de Planeamento e Qualidade apontava para uma meta de aproximadamente quatro milhões de passageiros em 2026.
De salientar que a Turkish Airlines não é a primeira companhia internacional a reduzir ou abandonar operações em Luanda nos últimos anos. A Brussels Airlines encerrou a sua ligação a Luanda em Março de 2025, no âmbito de uma reestruturação do grupo Lufthansa, enquanto a TAAG suspendeu a rota para Madrid em 2024. A Iberia também não retomou a ligação directa à capital angolana.
A saída da transportadora turca não significa, contudo, o isolamento aéreo de Luanda. A capital continua servida por companhias internacionais como TAP Air Portugal, Air France, Lufthansa, Royal Air Maroc, Ethiopian Airlines, Qatar Airways e Airlink, além da TAAG. Em Agosto, a Compagnie Africaine d’Aviation iniciou igualmente duas frequências semanais entre Kinshasa e Luanda.
O desafio colocado ao AIAAN passa agora por aumentar o número de passageiros, consolidar as ligações existentes e atrair novos operadores. Quando anunciou a infra-estrutura, o Executivo apontou precisamente para a necessidade de captar parceiros e companhias internacionais para transformar o aeroporto num centro de conexão regional.
A retirada da Turkish Airlines constitui, assim, mais um revés para a estratégia de expansão da conectividade internacional de Luanda, embora não haja indicação pública de que a companhia tenha atribuído directamente a decisão à fraca utilização do AIAAN.