
O general na reforma Manuel Mendes de Carvalho Pacavira, conhecido por “General Paka”, que em Janeiro foi constituído arguido pela Procuradoria-Geral da República (PGR), reduziu desde então a sua exposição pública e deixou de protagonizar intervenções frequentes de crítica ao Governo e ao Presidente João Lourenço.
General Paka foi ouvido a 13 de Janeiro do ano corrente na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), na sequência de uma notificação da PGR, e constituído arguido num processo relacionado com as suas declarações públicas.
O mesmo responde por crimes de injúria, difamação e ultraje ao Estado e aos seus símbolos. Na altura, o general rejeitou as acusações e afirmou que o processo resultava de um alegado mal-entendido, defendendo que, enquanto cidadão, tinha o direito de criticar a governação.
Desde então, não voltou a ser chamado pela PGR, enquanto o processo permanece sob segredo de justiça.
Antes da constituição como arguido, Paka vinha assumindo uma posição pública particularmente crítica em relação ao MPLA e ao Executivo. Em Agosto de 2024, por exemplo, participou num acto político da UNITA em Catete, onde defendeu que a solução para os problemas do país estava naquele partido e apelou à mobilização para as eleições de 2027.
O general também acusou, nessa ocasião, antigos generais de terem desviado dinheiro do país e posteriormente deixado Angola, declarações que reforçaram a sua exposição no debate político nacional.
Mais recentemente, numa entrevista à plataforma digital Rádio Ouvinte, Paka voltou a abordar temas políticos e históricos. Entre outras afirmações, criticou a qualidade do sistema de ensino, comentou processos políticos envolvendo figuras como Tchizé e Isabel dos Santos e dirigiu novas críticas à classe dirigente angolana.
A diferença está na frequência e no tom das intervenções públicas. Depois da passagem pela DNIAP e da constituição como arguido, Paka deixou de aparecer com a mesma regularidade, apesar de ter voltado posteriormente a conceder entrevistas.