Águia com anilha do Museu de Helsínquia cai e morre em Muconda
Águia com anilha do Museu de Helsínquia cai e morre em Muconda
aves fin

Uma águia encontrada debilitada junto às margens do rio Tchimege, a cerca de quatro quilómetros da sede municipal de Muconda, na província da Lunda Sul, morreu minutos depois de ter sido socorrida pelas autoridades locais, que identificaram uma anilha proveniente da Finlândia.

A ave foi encontrada na quinta-feira, 24 de Setembro, numa das margens do rio Tchimege, tendo sido encaminhada para o Hospital Municipal de Muconda, onde recebeu os primeiros cuidados, segundo informações das autoridades locais.

De acordo com os dados inscritos na anilha, identificada como M-85968, a ave teria sido marcada pelo Museu de Zoologia de Helsínquia, na Finlândia, no âmbito dos programas de anilhagem de aves.

O Museu de História Natural da Finlândia, que coordena o Centro de Anilhagem de Aves do país, explica que este tipo de marcação permite acompanhar rotas migratórias, áreas de repouso e invernada, idade, mortalidade e outras características das aves.

Os dados das recuperações são também utilizados em estudos de conservação e investigação ornitológica.

A identificação da anilha despertou a atenção das comunidades de Muconda, por indicar uma possível ligação da ave ao norte da Europa.

As informações disponibilizadas sobre o caso apontam para uma possível águia-pesqueira (Pandion haliaetus), espécie conhecida por realizar migrações entre o norte da Europa e regiões africanas.

O Centro de Anilhagem finlandês mantém, aliás, registos específicos desta espécie, cujo nome científico é Pandion haliaetus. Contudo, a identificação da espécie não foi confirmada por uma autoridade científica a partir do exemplar encontrado em Muconda.

Outra identificação avançada com base apenas na aparência da ave é a de águia-pesqueira-africana (Haliaeetus vocifer, actualmente também classificada como Icthyophaga vocifer), uma espécie amplamente distribuída pela África subsaariana e presente em Angola.

A eventual confirmação de que se trata de uma ave marcada na Finlândia e que chegou a Angola através de uma rota migratória dependerá da consulta do registo correspondente à anilha.

O Centro de Anilhagem finlandês mantém bases de dados com os registos das marcações e das recuperações comunicadas internacionalmente.

A morte do animal, apesar de representar uma perda para a fauna, poderá fornecer dados científicos relevantes caso a recuperação da anilha e do exemplar seja oficialmente comunicada ao centro finlandês.

O museu recomenda que, no caso de aves anilhadas encontradas mortas, sejam comunicados o número da anilha, o local da descoberta e, quando possível, fotografias que permitam confirmar a inscrição.

O episódio foi considerado inédito pelas comunidades de Muconda, sobretudo pela origem indicada na anilha e pela possibilidade de o animal estar integrado num programa internacional de acompanhamento de aves migratórias.

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