
O presidente do Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (STMA), Joaquim Filipe Martins, estará a ponderar a suspensão da greve anunciada para a próxima semana e a aceitação da proposta de aumento salarial de 20% apresentada pela direcção da TAAG – Linhas Aéreas de Angola, depois de as partes terem terminado sexta-feira sem acordo, segundo apurou o Imparcial Press junto de fontes ligadas ao processo.
A eventual suspensão da paralisação ainda não foi confirmada publicamente pelo STMA, que mantém em aberto o processo reivindicativo dos técnicos de manutenção da companhia aérea angolana.
A TAAG reafirmou sexta-feira a disponibilidade para prosseguir o diálogo com o sindicato, depois de uma reunião em Luanda que terminou sem entendimento sobre as reivindicações salariais. A companhia propôs um aumento de 20%, em resposta à reivindicação sindical de um aumento superior.
As negociações envolvem 146 técnicos de manutenção aeronáutica afetos às áreas de produção, cerca de 5% dos 2.750 trabalhadores da TAAG. Segundo a companhia, o salário médio mensal nesta categoria ronda atualmente 1,5 milhões de kwanzas.
A TAAG considera que um aumento de maior dimensão comprometeria a sustentabilidade financeira da empresa e defende que a política salarial deve observar critérios de proporcionalidade e equidade entre as diferentes categorias profissionais.
“Reconhecemos o contributo fundamental dos nossos técnicos de manutenção e as suas legítimas expectativas de valorização profissional”, afirmou o presidente do Conselho de Administração da TAAG, Clóvis Rosa, citado num comunicado da companhia, acrescentando que a proposta de 20% demonstra a disponibilidade da administração para negociar.
Além da questão salarial, os técnicos têm levantado preocupações relacionadas com as condições de trabalho, incluindo a falta de hangares no Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, onde alguns funcionários recorrem a contentores adaptados ou trabalham ao ar livre.
A possibilidade de paralisação dos técnicos de manutenção surge depois de uma greve anteriormente prevista para 1 de Setembro ter sido retirada, na sequência da retoma das negociações entre a administração da TAAG e as estruturas sindicais.
Perante a possibilidade de uma nova paralisação, a TAAG anunciou que dispõe de um plano de continuidade operacional destinado a assegurar pelo menos 85% da programação de voos, através dos serviços mínimos legalmente previstos e de parcerias operacionais.
A companhia assegurou igualmente que as ligações intercontinentais serão preservadas integralmente e que a segurança operacional continuará a ser a prioridade, caso venha a ocorrer uma paralisação.
Até ao momento, não foi divulgada uma decisão oficial do STMA sobre a suspensão da greve ou sobre a aceitação da proposta de aumento salarial de 20% da TAAG.