
O antigo oficial do extinto Serviço de Informação (SINFO), actualmente Serviço de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE), Fernando Vumby, considera que o presidente do MPLA, João Lourenço, estará a procurar reduzir as possibilidades de defesa política do pré-candidato à liderança do partido, Francisco Higino Lopes Carneiro, antes de uma eventual fase mais dura do confronto interno.
Segundo o mesmo, estão em curso uma estratégia destinada a enfraquecer progressivamente o general Higino Carneiro, que almeja disputar internamente a liderança do MPLA, antes de ser enviado para o além.
Para o antigo oficial do SINFO, uma eventual estratégia contra o general Higino Carneiro poderia recorrer a métodos que terão sido utilizados anteriormente contra outras figuras políticas angolanas, entre as quais Osvaldo Serra Van-Dúnem e Mfulupinga Nlandu Victor.
Fernando Vumby associa essas práticas ao funcionamento dos serviços de inteligência durante o período em que Fernando Miala dirigiu o então SINFO, fazendo referência a alegados métodos de manipulação e influência política.
Na sua avaliação, o cenário mais perigoso para Higino Carneiro poderia ocorrer caso se verificasse uma aparente aproximação ou reconciliação com João Lourenço.
Vumby considera que uma eventual normalização das relações poderia levar o pré-candidato a reduzir os níveis de cautela e, consequentemente, ficar mais exposto a diferentes formas de pressão.
O antigo oficial admite, nesse contexto, a possibilidade de uma estratégia destinada a atingir Higino Carneiro nos planos político, profissional, social ou pessoal seria maior.
A análise surge num momento de forte disputa interna no MPLA, depois de a candidatura de Higino Carneiro à presidência do partido ter sido rejeitada pela Subcomissão de Candidaturas.
O antigo general contestou a decisão e recorreu ao Tribunal Constitucional, que em Setembro recusou a providência cautelar destinada a suspender os efeitos da exclusão.
A maioria dos juízes do Tribunal Constitucional considerou prematura a intervenção judicial, entendendo que ainda estavam em curso mecanismos internos do partido. Uma das juízas conselheiras apresentou, contudo, voto vencido, defendendo que a demora poderia causar prejuízos difíceis de reparar à candidatura de Higino Carneiro.
Higino Carneiro anunciou entretanto que pretende continuar a recorrer aos mecanismos legais e estatutários disponíveis e admitiu até a possibilidade de contestar o processo eleitoral interno, caso considere que as regras do partido não estão a ser respeitadas.
O IX Congresso Ordinário do MPLA está marcado para 9 e 10 de Dezembro de 2026, estando João Lourenço na corrida à sua própria sucessão na liderança do partido.