AGT paga mais de oito mil euros por três máquinas de algodão-doce
AGT paga mais de oito mil euros por três máquinas de algodão-doce
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A Administração Geral Tributária (AGT) pagou, através da In Pressionante Kianda, 8.033,20 euros por três máquinas de algodão-doce facturadas por duas empresas portuguesas. O então gerente da sociedade angolana, João dos Santos, afirma ter recebido apenas uma.

Segundo o Maka Angola, uma cotação obtida em Portugal no mesmo período apontava para 300 euros, mais IVA, por uma máquina nova.

A In Pressionante Kianda foi constituída em Luanda em Junho de 2023, com 70% do capital pertencente a duas empresas portuguesas ligadas ao empresário Mário João Zimas Trindade Martins. Os restantes 30% ficaram com os angolanos Salvador Manuel Pascoal e João dos Santos.

A investigação aponta uma relação anterior entre Carla Marisa Castelo Trindade Martins, mulher de Mário Martins, e a AGT.

Docente da Universidade Católica Portuguesa, Carla foi professora de mestrado de José Vieira Nuno Leiria, então PCA da AGT e actualmente secretário de Estado para os Assuntos Tributários.

De acordo com as informações, Carla participou nas negociações e na preparação das actividades da Kianda antes e depois da sua constituição. Num contacto com o Banco Caixa Angola, chegou a apresentar-se como responsável pela área financeira da empresa, embora não figurasse como gerente.

Em Abril de 2024, a In Pressionante Unipessoal facturou à Kianda uma máquina de algodão-doce por 1.050 euros. Em Junho, outra empresa do grupo, a In Pressionante Wood & Metal, facturou mais duas, a 3.491 euros cada. O total chegou assim a 8.033,20 euros.

João dos Santos garante, contudo, que a empresa recebeu apenas uma máquina. O antigo gerente afirma ainda que, nas primeiras edições da feira promovida pela AGT, foram utilizadas máquinas alugadas porque a Kianda não dispunha dos equipamentos facturados.

As facturas fazem parte de um conjunto de documentos que registam pelo menos 662.231,82 euros em fornecimentos das empresas portuguesas à Kianda entre Junho de 2023 e Julho de 2024.

A investigação refere ainda contratos de comunicação da AGT no valor de mil milhões de kwanzas anuais, posteriormente renovados, e descreve a intervenção de Carla Trindade na preparação de propostas, compras e negociações relacionadas com a empresa.

O caso levanta questões sobre os preços praticados, a efectiva entrega dos equipamentos e os procedimentos utilizados nas relações comerciais entre a AGT e a In Pressionante Kianda.

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