Governo angolano avança com registo dos beneficiários efectivos das empresas “fantasmas” no quadro das exigências do GAFI
Governo angolano avança com registo dos beneficiários efectivos das empresas "fantasmas" no quadro das exigências do GAFI
JL massano

O Governo angolano criou um grupo técnico multidisciplinar com um prazo de 180 dias para preparar e operacionalizar a Central de Registo do Beneficiário Efectivo (CRBE), mecanismo destinado a identificar as pessoas singulares que detêm ou controlam, directa ou indirectamente, empresas e outras entidades no país.

A decisão consta de um despacho assinado pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, que determina a constituição de uma equipa integrada por representantes de dez organismos públicos.

O grupo será coordenado pelo secretário de Estado para a Justiça, tendo a Unidade de Informação Financeira (UIF) como coordenadora-adjunta. Entre as entidades representadas estão o Ministério das Finanças, a Administração Geral Tributária (AGT), a Comissão do Mercado de Capitais (CMC), a Autoridade Nacional de Inspecção Económica e Segurança Alimentar (ANIESA) e reguladores dos sectores dos seguros e dos jogos.

Entre as tarefas atribuídas à equipa estão a definição do modelo institucional da central, o desenvolvimento da plataforma electrónica e da respectiva arquitectura tecnológica, bem como a articulação técnica com parceiros internacionais, incluindo o Banco Mundial e a União Europeia.

A iniciativa surge na sequência da aprovação da Lei n.º 7/26, de 19 de Agosto, que estabelece o Regime Jurídico do Beneficiário Efectivo e prevê a identificação, o registo, a conservação, a actualização e a disponibilização de informações sobre os beneficiários efectivos de pessoas colectivas e outras entidades abrangidas pelo diploma.

O conceito de beneficiário efectivo refere-se à pessoa singular que, em última instância, detém ou exerce controlo efectivo sobre uma entidade, mesmo quando a participação ou o controlo são exercidos indirectamente através de outras sociedades ou estruturas jurídicas.

O registo pretende, assim, permitir às autoridades identificar quem está realmente por detrás de empresas e negócios, reforçando a transparência das estruturas societárias e a capacidade de rastrear operações financeiras suspeitas.

Medida procura responder às exigências do GAFI

A implementação da central integra os esforços de Angola para reforçar os mecanismos de prevenção e combate ao branqueamento de capitais, ao financiamento do terrorismo e ao financiamento da proliferação de armas de destruição em massa.

Em Outubro de 2024, Angola voltou a integrar a lista de jurisdições sob monitorização reforçada do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), habitualmente designada por «lista cinzenta».

No plano de acção acordado com o organismo internacional e o Grupo de Combate ao Branqueamento de Capitais da África Oriental e Austral (ESAAMLG), Angola comprometeu-se, entre outras medidas, a assegurar que as autoridades competentes tenham acesso adequado, exacto e atempado às informações sobre os beneficiários efectivos e que as violações das respectivas obrigações sejam devidamente tratadas.

O GAFI apontou igualmente a necessidade de melhorar a compreensão dos riscos de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, reforçar a supervisão de actividades não financeiras de maior risco e demonstrar resultados nas investigações e processos relacionados com estes crimes.

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