Moradores da Vila Alice contestam entrega da gestão de quadra desportiva ao grupo Alpega
Moradores da Vila Alice contestam entrega da gestão de quadra desportiva ao grupo Alpega
autopenchicha

Moradores do Largo José Régio, também conhecido por Auto-Pechincha, no bairro da Vila Alice, município do Rangel, em Luanda, contestam a atribuição da gestão da quadra desportiva local ao projecto Alpega (Amor ao Basquete), alegando que a decisão está a impedir o acesso da comunidade ao recinto, incluindo crianças e jovens, soube o Imparcial Press.

Numa carta aberta dirigida ao governador de Luanda, Luís Nunes, datada de 20 de Outubro, a comissão de moradores manifesta preocupação com as restrições impostas ao acesso à quadra desportiva e aos balneários, situação que, segundo os subscritores, se verificou após a inauguração do largo e a saída de Luís Nunes do local.

De acordo com os moradores, o director municipal dos Tempos Livres, Juventude e Desportos do Rangel, Domingos Pedronho da Silva, anunciou que a gestão do espaço fica ao cargo do projecto Alpega, decisão que, segundo a comissão, estará na origem do encerramento da quadra ao público.

Na carta, os moradores felicitam o governador pela inauguração do largo, reconhecendo o empenho na realização das obras, mas manifestam discordância quanto ao modelo de gestão adoptado para a infra-estrutura desportiva.

A comissão recorda que o espaço contou, ao longo dos anos, com uma estrutura própria de acompanhamento comunitário e que os moradores desenvolveram esforços para retirar do local interesses privados, incluindo um antigo ginásio e um quiosque, com o propósito de garantir a construção de uma quadra pública, inclusiva e sem fins lucrativos.

Os subscritores questionam ainda a atribuição da gestão ao Alpega, alegando que o projecto já dispõe de uma quadra própria na Avenida Brasil, cuja utilização consideram restrita aos munícipes.

Segundo os moradores, a manutenção do recinto encerrado tem levado crianças a praticarem actividades desportivas na estrada, por não poderem utilizar a quadra recém-inaugurada, situação que consideram preocupante para a segurança dos mais novos.

Perante o impasse, a comissão solicita ao governador de Luanda a revisão da decisão, defendendo que o acesso à infra-estrutura e o direito de usufruto da comunidade, particularmente dos jovens residentes, sejam salvaguardados.

Os moradores defendem que a quadra deve manter uma vocação pública e comunitária, considerando que a entrega da gestão exclusiva a uma entidade externa poderá contrariar o propósito que esteve na origem da reivindicação do espaço.

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