Graça Campos aconselha Higino Carneiro a desistir da corrida à liderança do MPLA
Graça Campos aconselha Higino Carneiro a desistir da corrida à liderança do MPLA
G.campos

O jornalista Graça Campos aconselhou o general Higino Carneiro a renunciar à pretensão de concorrer à presidência do MPLA, defendendo que o político deve abandonar a disputa por iniciativa própria, na sequência da decisão do Comité Central de manter a exclusão da sua candidatura.

Numa reflexão intitulada “General HC: não é hora de sair pelo próprio pé?”, Graça Campos considera que uma declaração pública de desistência seria uma forma mais digna de encerrar a tentativa de chegar à liderança do partido, em vez de prolongar a contestação através de reclamações internas ou impugnações judiciais.

O jornalista sustenta que o processo em torno da candidatura de Higino Carneiro foi marcado por constrangimentos políticos, alegando que o MPLA terá sido coagido para impedir que o também conhecido por “Peito Alto” disputasse a presidência da organização.

Na sua análise, Graça Campos manifesta cepticismo quanto à possibilidade de o Tribunal Constitucional contrariar a decisão partidária, considerando que os mesmos círculos de poder condicionam o desfecho do caso.

“Antecipar desastres é, também, um exercício nobre”, escreve o jornalista, defendendo que o general pode encerrar a disputa sem que isso represente uma demonstração de cobardia ou falta de persistência.

Graça Campos considera ainda que, depois dos esforços desenvolvidos para disputar a liderança do MPLA, não poderá ser atribuída falta de coragem política a Higino Carneiro, apontando a desistência como uma saída que, no seu entendimento, permitiria preservar a sua dignidade.

O jornalista afirma igualmente que o general não teria de pedir desculpas ao presidente do MPLA, João Lourenço, nem ao partido, criticando antigos camaradas de Higino Carneiro, a quem acusa de não terem correspondido às expectativas de apoio.

Na parte final da reflexão, Graça Campos sustenta que a exclusão de Higino Carneiro, caso resulte das razões políticas que aponta, ficará associada ao legado de João Lourenço, a quem atribui responsabilidades pelo que considera uma actuação autoritária.

De realçar que o Comité Central do MPLA decidiu, ontem, quarta-feira, 21, manter a anulação da candidatura de Higino Carneiro à presidência do partido, declarar nulo o respectivo processo e instaurar um processo disciplinar contra o militante.

Segundo o comunicado final da 11.ª Sessão Ordinária do Comité Central, orientada pelo presidente do partido, João Lourenço, Higino Carneiro violou, alegadamente, de forma consciente as normas estatutárias e do Código de Ética Partidária.

O órgão deliberativo do partido decidiu igualmente remeter os factos à Procuradoria-Geral da República, por considerar existirem fortes indícios da prática do crime de falsificação de documentos.

A decisão surgiu na sequência da apreciação do recurso hierárquico interposto por Higino Carneiro, contra a decisão que declarou nulo o seu processo de candidatura ao cargo de presidente do partido.

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