
A União Europeia aparentemente subjugou-se aos desígnios políticos do Presidente Donald Trump e está a pagar a “factura”. Países do G7, como a Alemanha e a França, estão a sofrer consequências económicas e sociais indesejáveis.
A Alemanha está a perder o espaço que lhe pertencia indiscutivelmente como “motor” da economia europeia, devido a uma combinação de estagnação, crise industrial e mudanças geopolíticas globais.
Durante uma fase de instabilidade económica, o Presidente Trump impôs à União Europeia a compra de combustíveis mais caros aos Estados Unidos, em detrimento da aquisição de produtos energéticos da vizinha Rússia, a preços mais acessíveis.
Usou como pretexto o pacote de sanções aplicadas à Rússia, por esta não ceder às suas propostas relativamente ao cessar-fogo na guerra contra a Ucrânia.
A forma de actuação do Presidente Trump, através da aplicação de tarifas alfandegárias para tentar enfraquecer economicamente a concorrência de grandes potências, como a China, a Rússia e a própria União Europeia, entre outras, recuando sempre que a situação económica interna assim o exigia, tem beneficiado, a curto prazo, a economia americana.
Isto é, se os Estados Unidos forem os primeiros e, se possível, os únicos a beneficiar de petróleo russo a baixo preço, sem prevenirem antecipadamente os seus vizinhos, somente os aliados sairão a perder.
Na União Europeia, com excepção do primeiro-ministro de Espanha, os Estados-membros deixaram-se intimidar pelo Presidente Trump, começando pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, incluindo o Governo alemão.
Cederam, inclusive, à exigência de aumentar a contribuição anual para os gastos da NATO para 25%. Os países membros da UE acordaram uma percentagem intermédia de 3,5% ao ano, com o objectivo de atingir os 5% até 2035.
Com o aumento dos preços do petróleo e do gás, das contribuições para suportar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e do número de imigrantes ilegais, entre outros factores, a Europa está a atravessar uma crise socioeconómica de extrema gravidade.
Enquanto, na crise de 2008/2009, a Alemanha actuou como “âncora financeira” da Zona Euro, capitalizando os seus bancos para resgatar economias periféricas, no biénio 2025/2026 o país tem enfrentado um endividamento sem precedentes e estagnação económica.
Em 2008, o modelo alemão baseava-se na energia barata, através da aquisição de gás russo, e nas exportações para a China. Actualmente, o Governo alemão vê-se obrigado a financiar-se externamente para responder às suas obrigações financeiras, económicas e sociais internas.
A Alemanha, conjuntamente com o FMI, financiou a Grécia, a Irlanda, a Espanha, o Chipre e Portugal.
Devido à conjuntura geopolítica, marcada pela subordinação às imposições do Presidente Trump, a Alemanha aprovou despesas militares elevadíssimas, no valor de 83 mil milhões de euros em 2026, para além dos fundos extra-orçamentais, financiados inteiramente por emissão de dívida.
O Governo alemão contornou as regras fiscais, criando um Fundo de Infra-estruturas e Clima de 500 mil milhões de euros.
A Alemanha perdeu competitividade na indústria automóvel face à China, onde a Audi estabeleceu uma parceria com a empresa estatal chinesa SAIC. Os custos da energia arrastaram o país para o seu sétimo ano de estagnação económica.
Todavia, pese embora os números alarmantes da dívida externa, o que impede a Alemanha de entrar em insolvência imediata é a posição do seu Investimento Internacional Líquido (IIP). Já a França e os outros países membros da UE não dispõem dessa almofada.
A verdade é que a Alemanha continua a ser um credor líquido global. O país possui activos no estrangeiro de cerca de 15,2 biliões de euros, superando as suas obrigações, no valor de cerca de 11,1 biliões de euros.
A dívida externa alemã é de cerca de 7,28 biliões de euros (cerca de 8,14 biliões de dólares norte-americanos), no primeiro trimestre de 2026, o que representa cerca de 149,6% do PIB do país.
O Estado e as empresas alemãs estão a endividar-se a níveis nunca vistos, mas a riqueza acumulada no passado ainda funciona como um amortecedor. A Alemanha continua a ser um credor global.
O país possui activos no estrangeiro no valor de cerca de 15,2 biliões de euros, superiores às suas obrigações, no valor de cerca de 11,1 biliões de euros.
O Governo alemão está a investir na melhoria das suas infra-estruturas básicas, proporcionando emprego, revitalização da prestação de serviços e consumo, que aquece a sua economia, mas não o suficiente.
*Jurista