
O empresário angolano e promotor de espectáculos Henrique Miguel, conhecido por “Riquinho”, morreu esta sexta-feira, em Luanda, aos 62 anos, vítima de doença, depois de ter dado entrada, na quinta-feira, no Complexo Hospitalar Cardeal Dom Alexandre do Nascimento, na sequência de uma paragem cardíaca.
Segundo informações divulgadas, o empresário recebeu assistência médica, mas acabou por não resistir.
Figura conhecida do sector do entretenimento em Angola, Riquinho construiu uma carreira ligada à promoção de grandes espectáculos, através da produtora Casablanca, tendo sido responsável pela realização de concertos de artistas internacionais como Roberto Carlos, Julio Iglesias, Ivete Sangalo, Cesária Évora, Busta e 50 Cent.
Ao longo do seu percurso, apoiou e projectou artistas nacionais, envolveu-se em iniciativas de gestão desportiva, através da Casa Real, e chegou a candidatar-se à presidência da Federação Angolana de Basquetebol (FAB).
Nos últimos anos, o empresário ganhou igualmente protagonismo com iniciativas no sector dos transportes, sobretudo através de um projecto de disponibilização de viaturas para taxistas.
Em Agosto de 2025, anunciou um programa para a atribuição de 500 viaturas, em regime de crédito e renda resolúvel, com o objectivo de permitir que os motoristas se tornassem proprietários dos veículos e incentivar a redução da tarifa da corrida para 250 kwanzas.
A iniciativa, apresentada após a greve dos taxistas que paralisou Luanda e outras províncias, foi recebida com expectativas, mas também com dúvidas sobre o financiamento e a sua execução.
Em Março de 2026, profissionais do sector manifestaram descontentamento com os atrasos, afirmando que, apesar das inscrições e da assinatura de documentos, tinham sido entregues apenas algumas viaturas.
Nessa altura, Riquinho rejeitou acusações de burla e sustentou que o projecto continuava em curso, admitindo dificuldades na aquisição e no financiamento dos veículos.
O plano inicial de 500 viaturas viria a ser apresentado pelo empresário, numa fase posterior, como uma iniciativa mais ampla, envolvendo 945 unidades.
A trajectória empresarial de Riquinho ficou também marcada por reclamações de dívidas ao Estado angolano, relacionadas com serviços prestados pelas suas empresas, particularmente no âmbito do Afrobasket 2007.
Em 2024, o empresário afirmou reclamar cerca de 70 milhões de dólares, dos quais a maior parte seria atribuída ao Ministério da Juventude e Desportos. Mais tarde, o valor publicamente referido para o diferendo passou a situar-se em torno de cinco milhões de dólares.
Em Setembro de 2026, o portal Imparcial Press noticiou a existência de documentação administrativa que apontava para uma reclamação de 4,9 milhões de dólares considerada fundamentada pela Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE), segundo um ofício de Outubro de 2025.
Os documentos citados registavam pagamentos parciais e diligências para a regularização do processo, sem confirmação da liquidação integral.
A morte do empresário deixa em aberto a evolução de projectos e diferendos financeiros associados ao seu percurso, incluindo a situação dos compromissos assumidos no programa de viaturas para taxistas.