
O Fundo Soberano de Angola (FSDEA) passou a integrar a estrutura accionista do Bureau Central Privado de Informação de Crédito, a primeira instituição do género licenciada em Angola, na sequência de um acordo de subscrição de acções assinado entre as duas entidades a 4 de Junho de 2026 e divulgado em Novembro.
A entrada do Fundo Soberano no capital representa uma nova etapa na consolidação institucional do Bureau de Crédito, que pretende alargar a sua actividade e reforçar a capacidade de recolha, tratamento e análise de informação sobre o comportamento financeiro de cidadãos e empresas.
A operação prevê que o FSDEA assuma a posição de accionista de referência, com a integração de um administrador indicado pelo Fundo no Conselho de Administração da instituição, reforçando a sua estrutura de governação corporativa.
As entidades não divulgaram, na informação disponibilizada, o montante do investimento nem a percentagem do capital adquirida pelo Fundo.
Segundo o Bureau, a parceria deverá contribuir para consolidar a sua capacidade operacional e ampliar a rede de instituições que recorrem aos seus serviços, num mercado em que a informação sobre o histórico de crédito é determinante para a avaliação do risco e a concessão de financiamento.
O presidente do Conselho de Administração do Bureau, Adriana Dias, considera que a entrada do FSDEA reforça a capacidade da instituição para transformar informação em conhecimento fiável, acessível e útil para empresas, investidores e cidadãos.
A instituição pretende alargar a sua actividade junto de bancos, seguradoras, operadores de telecomunicações, instituições de microfinanças, empresas de tecnologia financeira (fintechs), investidores e outros agentes económicos.
Para os próximos cinco anos, o Bureau de Crédito definiu três prioridades estratégicas: modernização da plataforma tecnológica, alargamento da rede de instituições parceiras e lançamento de um catálogo de produtos ajustado aos diferentes segmentos do mercado.
Entre os serviços previstos estão relatórios de crédito, pontuação de risco, monitorização de carteiras, estudos e indicadores de mercado, além de ferramentas de autoconsulta destinadas a cidadãos e micronegócios.
A disponibilização destes instrumentos deverá permitir às instituições financeiras melhorar os processos de avaliação de risco e apoiar decisões de concessão de crédito, investimento e desenvolvimento de produtos.
FSDEA alarga carteira de investimentos
A entrada no capital do Bureau representa também uma extensão da presença do Fundo Soberano de Angola em diferentes segmentos da economia, numa estratégia de diversificação da carteira de investimentos por indústrias e classes de activos.
O FSDEA é responsável pela gestão de investimentos em activos financeiros e outros instrumentos, incluindo obrigações públicas e privadas, moeda estrangeira, derivados financeiros, títulos do Tesouro e fundos de investimento.
A gestão do Fundo está a cargo de um Comité Executivo autónomo, no quadro de uma estrutura destinada a assegurar a administração da carteira e a aplicação dos recursos segundo os respectivos objectivos de investimento.
A participação no Bureau de Crédito coloca o Fundo numa actividade ligada à infraestrutura de informação do sistema financeiro, num momento em que Angola procura aprofundar o acesso ao financiamento e melhorar os mecanismos de avaliação do risco de crédito.