Higino Carneiro prepara-se para concorrer a presidência do MPLA no próximo congresso
Higino Carneiro prepara-se para concorrer a presidência do MPLA no próximo congresso
HC 1

O general Francisco Higino Lopes Carneiro prepara-se para apresentar a sua candidatura, ao cargo do presidente do MPLA, no IX Congresso Ordinário do MPLA, a realizar-se entre 2025/2026, em Luanda, e consequentemente se tornar no cabeça de lista as eleições gerais de 2027.

Segundo as informações veiculadas pelo portal Club-K, o ex-governante anunciou, primeiramente, a sua pretensão aos seus parentes mais próximos e, posteriormente, em público através da sua primeira obra intitulada “Memórias – Soldado da Pátria“, publicada em Junho de 2021.

O primeiro pré-candidato ao cadeirão máximo do MPLA, após a saída de João Lourenço que esta a cumprir o seu último mandato na Presidência da República, à luz da Constituição da República de Angola, já tem a sua disposição “um itinerário de pré-campanha a longo prazo”, iniciado discretamente desde 2020.

De acordo com a fonte primária, o “atrevido” [de Higino Carneiro] justifica o seu desejo de vir a concorrer as próximas eleições gerais, como sendo uma profecia do seu pai, Luís Lopes Carneiro, que fazia questão de “sabular” aos amigos que “o filho seria general e presidente de Angola”. O seu progenitor deu-lhe inclusive o nome deste general [que se chamava Francisco Higino Craveiro Lopes] que foi Presidente de Portugal entre 1951 a 1958.

Na página 13, do seu livro “Memórias – Soldado da Pátria“, o ex-arguido – que estava a responder um processo-crime na condição de antigo governador da província de Luanda em sede dos actos de gestão praticados de 2016 a 2017 – faz menção desta suposta “profecia” do seu pai, que procura agora materializar. Já concretizou a primeira profecia (de ser general) e agora só falta a de ser presidente de Angola.

Em dois distintos momentos da vida sentiu que a profecia do seu pai estava a ser desvirtuada. A primeira vez aconteceu em 2016, quando o então Presidente José Eduardo dos Santos chamou-o para fazer parte de uma reunião restrita em que comunicou que o próximo candidato presidencial seria o “camarada João Lourenço”. Higino Carneiro é dado como tendo se insurgido contra a indicação do nome de JL.

O sentimento de oposição ao nome do actual Presidente da República foi baseado na convicção de que o seu nome também constava na lista dos potenciais sucessores à liderança do MPLA. JES chegou a considerar-lhe como candidato a vice-PR.

A segunda vez que sentiu a profecia do seu pai ameaçada foi precisamente no ano de 2019, quando foram levantadas contra si acusações de práticas menos boas, resultando na abertura de processos judiciais. Se fosse julgado e condenado teria o seu registro criminal comprometido.

De acordo com apurações, o general Higino Carneiro viu-se obrigado a negociar com a direcção do poder. Ofereceu os seus préstimos de mediação entre JES e JL, viajando a Barcelona para convencer o antigo Presidente a regressar a Angola. Em troca, foram baixadas “ordens superiores” ao Tribunal Supremo para “despronunciar” o seu processo em nome de “supremos interesses da pátria”, conforme justificou aos seus pares, o juiz Joel Leonardo, no dia em que abordou os seus colegas juízes conselheiros.

Por imperativos constitucionais, o Presidente João Lourenço já não poderá concorrer a presidência da República por limite de mandatos, mas nada está garantido sobre a liderança do partido. O referido impedimento constitucionais tem alimentado sentimentos internos de elementos que acreditam ser o momento para promover a democratização do MPLA com um congresso com múltiplas candidaturas.

Para além de Higino Carneiro, há rumores de que Álvaro de Boavida Neto seja um dos dirigentes que se sente atentado a vir disputar no congresso de 2026. É-lhe atribuído aplausos da ala juvenil do partido, que apreciam a sua frontalidade e abertura de diálogo.

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