
A classe empresarial da província do Moxico denunciou, na segunda-feira, 13, no Luena, a falta de transparência na contratação pública, licenciamento da exploração da madeira, bem como o monopólio da exploração do ramo de inertes detido por empresas estrangeiras.
Esta denúncia consta de um memorando da classe empresarial apresentado pelo presidente da direção da Câmara e Comércio do Moxico, Agrione Manuel, num encontro com o governador provincial, Ernesto Muangala.
Agrione Manuel afirmou que existe excesso de burocracia na obtenção do título de concepção de terra, bem como a falta de linhas de financiamentos bonificadas com características próprias, de acordo com a realidade da província, entraves que diz enfraquecer o ramo empresarial na região.
“Maior parte das obras de grande valor contratual, são entregues a empresas de outras regiões”, reiterou o responsável.
Para a inversão desse quadro, o empresário defendeu a necessidade da cedência às micros, pequenas e médias empresas locais, a subcontratação de serviços, no âmbito da contratação das grandes empreitadas.
Na mesma ocasião, o empreendedor Jamba André acrescentou que tem faltado, na província, fiscalização dos programas do governo, na altura da distribuição de bens do Estado para apoiar os pequenos empreendedores.
“Temos visto que são as mesmas pessoas que beneficiam do apoio do Estado, mas não vemos o resultado do trabalho que estes desenvolvem”, lamentou.
Opinião corroborada pelo empreendedor José Furtunato que defendeu a necessidade de se extinguir supostos “padrinhos” na altura da contratação pública”.
Em resposta, o Vice-governador para o sector Técnico e Infra-estruturas, Wilson Augusto, reconheceu que a maior reclamação dos empresários locais consubstancia-se com as obras de asfaltagem e requalificação dos bairros periféricos do Luena, que não beneficiaram as empresas da região.
Segundo o responsável, as referidas obras, enquadradas no Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), foram projectadas com “carácter de urgência”, face às recomendações do Ministério das Obras Públicas, Urbanismo e Território, impossibilitando a contratação ou subcontratação das empresas locais.
Por sua vez, o governador provincial reconheceu que é necessário o incentivo e o fortalecimento da classe empresarial local, no conjunto de políticas de desenvolvimento da província.
O governante sublinhou que os desafios da governação são os de retomar o crescimento económico e gerar emprego de qualidade, admitindo que tal só será concretizado com a intervenção do sector privado.
Dados apontam que a província conta com três mil e 687 empresas, das quais 88 por cento actua no ramo do comércio e prestação de serviços, 10% no ramo industrial (panificadoras, carpintarias, moagens, fábrica de sabão e detergente e apenas um por cento na construção e produção agropecuária).
in Angop