27 de Maio de 77: Análise de responsabilidade – Luís Moniz
27 de Maio de 77: Análise de responsabilidade - Luís Moniz
vitimas do 27

Nem sempre aquele que comete o delito é o maior responsável. Às vezes os verdadeiros responsáveis são os instigadores que se ocultam na sombra. Sempre que há delito, é conveniente verificar se por detrás dele haverá qualquer terceira pessoa.

Seria iníquo castigar o executante e deixar impune o mandante. Mas, além disso, ainda há a considerar a responsabilidade profissional ou moral dos chefes responsáveis. Muitas das vezes os actos irregulares, ou desastrosos, são frutos de maus exemplos e precedentes, de ordens levianas ou maldades.

Se as ordens tivessem sido dadas em boas condições, o delito, ou prejuízo, não se verificaria talvez. Neste caso, seria uma injustiça punir o menos culpado e deixar irresponsável o mais culpado.

Quando os culpados são diversos, e de grau hierárquico diferente, nunca se deve ilibar por sistema o mais categorizado. É sobre este que deve incidir com mais atenção e o peso da justiça, para isso sirva de exemplo e de lição. Pois, o dirigente tem maior responsabilidade do que o dirigido.

Não deve pensar-se com o mesmo rigor entre um primário e um reincidente. Quando se verificam casos destes, é necessário considerarmos os antecedentes de cada um.

Um acto esporádico não tem o mesmo significado, e peso, de um acto habitual. Uma punição excessivamente rigorosa, aplicada a um indivíduo modelar, por qualquer falta ocasional, pode deprimir e transformar-se em um fundamentalista, em resultado daquele que foi até então, um bom indivíduo.

Rigorosamente, o castigo é só necessário ao incriminado se se mostrou incapaz de reconhecer as suas faltas ou erros. Quando se ignora o verdadeiro culpado é melhor não castigar ninguém. Mais vale deixar impune um culpado do que condenar um inocente. Eis uma máxima jurídica que urge não esquecer.

Um bom dirigente não deve deixar se arrastar por exaltações ou vinganças. Deve sim ser, acima de tudo, humano e objectivo nas suas acções. Há certos chefes que hesitam em aplicar castigos quando se trata de amigos, e que, no entanto, são implicáveis e fulminantes quando os prevaricadores não são da sua simpatia.

Ainda assim, estes comportamentos acima referidos, volvidos 46 anos, mantêm-se inalteráveis, continuando enganar os menos esclarecidos e os de “mentes formatadas”.

Tudo isso perdura por MPLA temer perder o poder e incitam o retorno à guerra civil para voltar a matar os que protestam a sua governação precária de promessas falsas que jamais serão cumpridas.

Aqui queremos lembrar que as recentes declarações do Bureau Político do MPLA, nomeadamente de 2002 e 2013, falam por si em relação aos envolvidos nestes acontecimentos.

Não esquecer que as acusações feitas aos ditos “fraccionistas” ou “nitistas”, tais como: fome, miséria, água, luz, saúde, salários, emprego, etc., etc., perduram e com maior incidência. Afinal quem eram os culpados?

Embora digam que os familiares das vítimas atravessam o deserto, demora e atrasa-se, mas verdade seja dita, a justiça será feita. Quer queiram, quer não, os matadores serão julgados e condenados (alguns a título póstumo), porque a História não os absolverá.
Perdoar sim, mas esquecer jamais!
Honra e Glória aos Mártires.

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