Projecto “Ferti Mulher” junta mais de três mil mulheres na sua primeira edição
Projecto “Ferti Mulher” junta mais de três mil mulheres na sua primeira edição
Ferti mulher

O Centro das Convenções de Belas, no distrito urbano do Futungo, foi, no último sábado, o palco da primeira edição do projecto “Ferti Mulher” que decorreu sob o lema “Saúde de dentro para fora” e contou com o apoio da vice-Presidente da República, Esperança da Costa.

No evento que, segundo os dados da organização, contou com a presença de mais de três mil pessoas (na maioria mulheres), de vários segmentos, foram abordados vários temas relacionados com a saúde sexual reprodutiva, com destaque para a infertilidade.

De igual modo, foram abordados temas como liderança feminina, empreendedorismo, literacia financeira, sucesso na carreira, habilidades pessoais e profissionais, educação física, comportamento e inteligência emocional e nutrição.

Conforme os dados, o projecto “Ferti Mulher” é uma iniciativa da médica ginecologista obstetra Stella Constantina, cujo objectivo foi abordar, sem tabu, sobre saúde sexual reprodutiva das mulheres.

Durante o evento, a especialista em ginecologia obstetrícia encorajou o debate aberto sobre saúde da mulher, tendo em vista a busca de soluções às doenças que mais afectam esta franja.

Stella Constantina disse que o evento teve um pendor didáctico e decorreu na base do diálogo aberto entre as participantes, algumas das quais contaram a sua experiência.

“Nos deparamos, no encontro, com mulheres que passam por situações como infertilidade e abortos”, disse Stella Constantina, para quem esses problemas podem ser evitados, munindo as mulheres com melhor conhecimento.

A especialista referiu que no encontro cada uma delas transmitiu a sua experiência, além de ter servido para motivar as participantes a “ultrapassar os obstáculos”.

O projecto “Ferti Mulher”

Quanto ao projecto, Stella Constantina explicou o objectivo do projecto, que passa pela prevenção das causas ou situações que levam as mulheres à infertilidade.

A médica informou que, segundo um estudo desenvolvido na Maternidade Lucrécia Paim, de Janeiro de 2021 a Dezembro de 2022, 64 mulheres, com menos de 20 anos, ficaram sem o útero por complicações provocadas por abortos inseguros.

A ginecologista obstetra, que trabalha na Maternidade Lucrécia Paim, falou ainda do caso de muitas mulheres com gravidez ectópica por infecções vaginais recorrentes, mal ou não tratadas, em que são diariamente feitas cirurgias para o tratamento. “Todas essas condições são preveníeis”, apelou Stella Constantina.

Ainda sobre o projecto, criado por mulheres para levar informação e ajudar outras mulheres com aquilo que tem a ver com a saúde, de dentro para fora, com uma abordagem holística, Stella Constantina disse que tem realizado palestras para 100 a 200 mulheres, quer em universidades, centros de acolhimento e noutras instituições.

O projecto tem pouco menos de dois anos, começou em Luanda e a intenção é levar a outras províncias. Fazem parte do projecto figuras como Carla da Costa, Sara Félix, Neusa Pinto, Hyara Gorge, Engrácia Luyeye, Raimy Belarmina e Érica Chissapa.

Segundo Stella Constantina, a ideia é juntar mulheres líderes, com alguma admiração, que são referências ou espelho para muitas outras, de modo a chamar atenção para a causa.

Neste momento, acrescentou a médica, o maior desafio são os apoios, quer sejam institucionais ou privados, porque se trata de um projecto que não é pouco dispendioso, olhando para a conjuntura actual.

“Temos tentado enfrentá-lo todos os dias, não paramos de bater portas e vamos continuar, porque a causa é justa e não pode morrer”, concluiu.

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