
A vice-Presidente da República, Esperança Maria Eduardo Francisco da Costa, tem sido objecto de criticas por nomear membros de sua família para o seu gabinete. As nomeações têm levantado preocupações em alguns círculos do regime de que o fenómeno “nepotismo” possa ser explorado pela oposição política, ferindo assim à sua imagem.
Desde que assumiu a posição de número dois no Estado angolano, Esperança da Costa nomeou cerca de sete membros da sua família – entre sobrinhos, cunhados, afilhados e nora – para cargos de destaque no seu gabinete de trabalho. Segundo o Club-K, o tema levantou questões sobre o nepotismo e a ética nessas nomeações.
A título de exemplo, a 5 de Outubro de 2022, Esperança da Costa nomeou – por via do Despacho n.º 37/22 – o seu cunhado, Candido Camilo Ferreira Júnior, como consultor da vice-Presidente da República.
O cunhado consultor – que é também conhecido por “Cadinho” – é casado com Lalá Francisca, uma irmã de Esperança.
Durante o período em que Esperança da Costa era secretária de Estado das Pescas, Ferreira Candido Jr. ocupou o cargo de Diretor de Gabinete.
Candido Camilo Ferreira Júnior, com formação em Cultura Física pela Escola Central dos Desportos da antiga RDA, trabalhou por muitos anos como preparador físico do Atlético Sport de Aviação (ASA) e depois enfrentou um período de desemprego. O melhor amigo de Candido Jr. é António Costa “Tony”, o esposo da “Vice”.
Além de Candido Jr., outras nomeações de familiares incluem Tânia Marisa Pascoal Neto, nora da vice-Presidente. Ela foi nomeada – por via do despacho n.º 32/22 – como secretária da vice-Presidente.
Tânia trabalhou em instituições bancárias desde 2008, incluindo o BFA, BAI e Banco Yeto. Ela é casada com Yuri Danilo Costa, filho mais velho da vice-Presidente.
Nuno Manuel Rui Cabeça, sobrinho de Esperança da Costa, assumiu o cargo de Chefe do Departamento de Cerimonial da Vice-Presidente da República em 4 de Outubro de 2022.
Outra nomeação não menos importante é de Luís Manuel Rangel, sobrinho do marido da Vice-Presidente, que se tornou diretor adjunto do gabinete da vice-Presidente.
A par isso, Joffrana Dynamene Xavier de Oliveira, afilhada da Vice-Presidente, foi nomeada consultora da Vice-Presidente.
A outra afilhada, Elizabeth Coelho Rodrigues, assumiu o cargo de Directora de Administração e Finanças dos Órgãos de Apoio ao Vice-Presidente da República, conforme o despacho n.º 12/23.
Na lista das nomeações, consta de igual modo Honésio Pulson Ebo de Almeida, seu sobrinho, que foi nomeado como Consultor da Diretora do Gabinete da Vice-Presidente da República.
Já a Márcia Augusta Fernandes Costa, sua cunhada, que assumiu o cargo de Chefe do Departamento de Apoio à Residência Oficial da Vice-Presidente da República.
José Jeremias Quibela, sobrinho do marido da Vice-Presidente, foi nomeado Diretor-Adjunto do Cerimonial da Vice-Presidente da República.
A nomeação de familiares pela vice-Presidente foi explicada, por fonte familiarizada ao assunto, como um acto normal, seguindo uma tradição regional da mesma que valoriza o emprego de membros da família por serem considerados mais confiáveis.
O falecido pai Eduardo “Duda”, era do Nzeto, província do Zaire. No entanto, essas nomeações levantaram questões sobre o nepotismo e a transparência.
Quando Esperança Costa era candidata à vice-Presidência, alguns membros da família se aproximaram dela em busca de emprego e favores. Ela inicialmente resistiu a esses pedidos, uma vez que João Lourenço estava comprometido em combater o nepotismo. No entanto, posteriormente delegou a sua irmã, “Lalá”, o poder de lidar com essas questões familiares.
De lembrar que, o Presidente João Lourenço tem se destacado pelo seu discurso de combate à corrupção e às más práticas (nepotismo, compadrio e etc). Durante um discurso em 2018, Lourenço afirmou que “não podemos esperar que haja mudanças se continuarmos a trilhar os mesmos caminhos e não formos nós os primeiros a mudar o nosso comportamento e as nossas próprias vidas”.
Além disso, em um discurso sobre o Estado da Nação em 2023, ele enfatizou a importância da Constituição como uma bússola para orientação e critério de decisão.