
Em Angola, cresce uma juventude que não quer servir – quer apenas ocupar. Não procura causas, procura cargos. Não estuda ideologias, estuda atalhos. A política transformou-se, para muitos, num palco de vaidade e sobrevivência pessoal, onde o objectivo não é mudar o país, mas garantir um lugar à mesa do poder.
Não há preparação, não há leitura, não há formação cívica nem ética. Há apenas ambição crua, barulho nas redes sociais e discursos vazios, copiados e colados conforme o vento político do momento. Jovens que nunca lideraram nada querem governar tudo. Nunca geraram valor, mas exigem influência.
Vestem-se e adoptam a postura de “líder juvenil”, encenam responsabilidade, exibem títulos improvisados e, em muitos casos, apresentam-se como empresários “do bungle” para iludir a opinião pública. É tudo imagem, tudo fachada. Não há substância, não há trajectória, não há obra. Conhecemos o jogo.
Criam-se projectos fictícios, movimentos sem base social, organizações sem rosto nem impacto real-tudo para parecer relevante, tudo para serem notados. O activismo tornou-se disfarce, a militância virou negócio, e o patriotismo, moeda de troca.
O chamado mel do poder intoxica consciências frágeis. Em vez de espírito de missão, instala-se o espírito de mercenário: muda-se de lado conforme o patrocínio, defende-se hoje o que ontem se atacava, grita-se por justiça enquanto se negociam privilégios nos bastidores.
Servir passou a ser discurso; beneficiar passou a ser prática. A política deixou de ser sacrifício e tornou-se investimento pessoal. Quem fala de valores raramente os pratica. Quem clama por mudança não aceita disciplina, responsabilidade nem prestação de contas.
Estamos atentos. Sabemos distinguir quem constrói de quem apenas ocupa espaço. O tempo do ruído vai passar. E quando passar, restará apenas uma pergunta: o que ficou para Angola?
O país não precisa de oportunistas travestidos de líderes. Precisa de homens e mulheres com carácter, formação, coragem moral e compromisso real com o bem comum. Tudo o resto é fraude política e a história saberá cobrar.
*Activista